Os internos da Penitenciária Estadual de Londrina estão vivendo outra experiência em mais uma oficina do Filo. O diretor paulista Roberto Lage está trabalhando com 13 presos as formas de levantar um espetáculo – desde a leitura do texto até a montagem final – na oficina ‘‘Marcenaria Teatral’’. O processo dá continuidade ao trabalho iniciado na oficina de palhaços realizada no ano passado com os Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Os internos deram sequência a uma rotina instituída pelo grupo paulista, mas como a rotatividade dentro da penitenciária é grande, apenas três permaneceram no trabalho.
No primeiro dia com Roberto Lage e o monitor Sérgio Mello, os presos logo mostraram uma improvisação que preparavam para o dia das mães. Em seguida, Lage apresentou a eles o texto que seria usado durante a oficina. ‘‘Aquele Que Diz Sim, Aquele Que Diz Não’ é uma peça didática do dramaturgo alemão Bertold Brecht, que faz uma reflexão sobre regras estabelecidas e levanta questões sobre a retomada da cidadania. É um texto muito adequado para pessoas que não são profissionais de teatro e especificamente para esse grupo’’, pontuou o diretor.
O interno Jonas Batista Silva, de 34 anos, está em sua segunda experiência no Filo dentro da penitenciária. Preso há sete anos – a pena é de 34 anos –, ele acredita que as oficinas são uma forma de ‘‘adquirir cultura para usar fora da cadeia’’. ‘‘O teatro tira os pensamentos negativos. Em vez de ficar olhando as grades ou andando num mesmo quadrado para passar o tempo, eu optei por fazer teatro’’, comentou. Batista disse não saber a palavra certa para definir essa vivência. ‘‘Mas acho que a palavra feliz demonstra tudo’’.
O resultado da oficina será apresentado no dia 27, durante uma visita dos familiares aos internos.

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