O teatro como alternativa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de maio de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
Os internos da Penitenciária Estadual de Londrina estão vivendo outra experiência em mais uma oficina do Filo. O diretor paulista Roberto Lage está trabalhando com 13 presos as formas de levantar um espetáculo desde a leitura do texto até a montagem final na oficina Marcenaria Teatral. O processo dá continuidade ao trabalho iniciado na oficina de palhaços realizada no ano passado com os Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Os internos deram sequência a uma rotina instituída pelo grupo paulista, mas como a rotatividade dentro da penitenciária é grande, apenas três permaneceram no trabalho.
No primeiro dia com Roberto Lage e o monitor Sérgio Mello, os presos logo mostraram uma improvisação que preparavam para o dia das mães. Em seguida, Lage apresentou a eles o texto que seria usado durante a oficina. Aquele Que Diz Sim, Aquele Que Diz Não é uma peça didática do dramaturgo alemão Bertold Brecht, que faz uma reflexão sobre regras estabelecidas e levanta questões sobre a retomada da cidadania. É um texto muito adequado para pessoas que não são profissionais de teatro e especificamente para esse grupo, pontuou o diretor.
O interno Jonas Batista Silva, de 34 anos, está em sua segunda experiência no Filo dentro da penitenciária. Preso há sete anos a pena é de 34 anos , ele acredita que as oficinas são uma forma de adquirir cultura para usar fora da cadeia. O teatro tira os pensamentos negativos. Em vez de ficar olhando as grades ou andando num mesmo quadrado para passar o tempo, eu optei por fazer teatro, comentou. Batista disse não saber a palavra certa para definir essa vivência. Mas acho que a palavra feliz demonstra tudo.
O resultado da oficina será apresentado no dia 27, durante uma visita dos familiares aos internos.


