DivulgaçãoA peça ‘‘Romeu e Isolda’’, traduzida para o francês, será apresentada três vezes em LyonTrês peças infanto-juvenis brasileiras representarão o País de hoje a sábado, na Bienal de Lyon, na França, o maior evento de teatro jovem do mundo: ‘‘Andersen - O Contador de Histórias em O Patinho Feio’’, de Gilberto Gawronski; ‘‘Romeu e Isolda’’, de Daniel Herz e Suzanna Kruger; e ‘‘Doidas Folias’’, de Cristina Bethencourt e Paloma Riani. Até hoje, o único grupo nacional que participou da Bienal foi o mineiro Hombu, em 1985, selecionado durante apresentação em um festival nos Estados Unidos.
Desta vez, a convite do Projeto Coca-Cola de Teatro Jovem, os diretores da Bienal, Maurice Yendt e Michel Dieuaide, estiveram no Brasil, onde assistiram a 27 espetáculos para selecionar os três que serão encenados em Lyon. A Biennale Theatre Jeunes Publics Lyon acontece de dois em dois anos, intercalada com a Bienal de Dança de Lyon, e reúne grupos de teatro infanto-juvenil de diversos países do mundo. Durante dez dias, os teatros e espaços públicos da cidade são totalmente ocupados pelas apresentações.
Um grupo formado por cerca de 50 pessoas entre artistas e técnicos embarcou na sexta-feira para a França, com patrocínio da Coca-Cola. As três peças são do Rio de Janeiro e tiveram grande aceitação de público e crítica.
A primeira peça a que os organizadores da Bienal assistiram quando estiveram no Brasil em outubro foi ‘‘Andersen - O Contador de Histórias em O Patinho Feio’’. Produzida por Eveli Fisher e dirigida por Gilberto Gawronski, a peça tem texto de Rogério Blat e é estrelada pelo ator Ricardo Blat. Ganhou alguns dos principais prêmios de teatro infantil de 1995 e 1996: quatro mambembes (melhor espetáculo, melhor ator e melhor texto, além da categoria especial personalidade para a produtora) e dois Coca-Cola (melhor espetáculo e melhor ator).
Ousadias Sozinho no palco, Ricardo Blat encarna diversos personagens para contar a história do patinho que cresceu desprezado por todos. Entre os personagens, o próprio Hans Christian Andersen, autor da fábula, e o patinho feio. ‘‘Andersen - O Contador de Histórias em ‘‘O Patinho Feio’’ será encenada cinco vezes esta semana em Lyon, todas elas em francês. ‘‘A peça não tem adereços, o principal canal de entendimento é a língua’’, justifica a produtora Eveli Fisher. ‘‘Sem ela, o público não entra no universo imaginário da história’’. O texto original foi traduzido para o francês pela atriz Jacqueline Laurence. Ricardo Blat, que nunca encenou uma peça inteira em outra língua, aceitou enfrentar o desafio. ‘‘Gosto de coisas ousadas, elas me estimulam’’, diz.
A peça ‘‘Romeu e Isolda’’ é outra que também foi traduzida para o francês. O espetáculo será apresentado três vezes na Bienal de Lyon, entre quinta-feira e domingo, e os diretores optaram por encená-lo uma vez em francês e outras duas em português. ‘‘É importante que o público entenda o texto, mas, ao mesmo tempo, na tradução, se perdem coisas características de nossa cultura, como as gírias’’, explica a diretora Susanna Kruger. ‘‘O ideal seria que pudessem ver as duas versões’’. A peça também ganhou importantes prêmios nas temporadas 95/96. Recebeu o Coca-Cola de melhor direção e o Shell de melhor iluminação, assinada por Aurélio de Simoni.
Voltada para o público adolescente, ‘‘Romeu e Isolda’’ conta em diversos episódios a luta das pessoas para encontrar sua cara-metade e seus desencontros amorosos - daí o título, que coloca lado a lado Romeu (de ‘‘Romeu e Julieta’’) e Isolda (de ‘‘Tristão e Isolda). ‘‘Os personagens estão sempre na iminência de encontros que por algum motivo não acontecem’’, conta Daniel Herz, o outro diretor do espetáculo. ‘‘No final acontece um encontro; o impedimento existe, mas é superado’’. Idealizada e escrita pela Companhia de Autores de Laura, a peça tem 15 atores.
Sem tradução ‘‘Doidas Folias’’, das diretoras Cristina Bethencourt e Paloma Riani, é o único espetáculo que não será traduzido para o francês. Trata-se de um musical, passado no final dos anos 30, feito em homenagem ao teatro de revista. ‘‘Como é um musical e tem um enredo simples, achamos que não havia necessidade de traduzir’’, explica Cristina. ‘‘Além disso, seria muito complicado porque são 12 atores em cena e três músicos tocando ao vivo’’. O espetáculo será apresentado duas vezes em Lyon, amanhã e quinta-feira.
A peça é dividida em dois atos. O primeiro mostra os bastidores do teatro de revista, os testes para ator, a angústia do empresário para renovar o gênero. Na segunda parte, acontece o espetáculo propriamente dito, que mistura personagens de época, como Getúlio Vargas e Carmem Miranda, a atrações típicas do gênero, como uma menina sapateadora. As músicas do espetáculo são de Tim Rescala. ‘‘A idéia era resgatar o teatro de revista para uma geração que nem sabe o que é isso’’, conta Cristina.

mockup