O Tao do Trio se sai bem em 'Uns Caetanos'
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segunda-feira, 04 de junho de 2001
Luiz Cláudio Oliveira De Curitiba 
Recentemente, no Brasil e também no mundo, quando a gente recebe um CD com um grupo feminino, é bem mais fácil elogiar outros atributos físicos das artistas que não o poder de suas cordas vocais. Felizmente, aparecem de vez em quando, grupos femininos que além de seus dotes físicos têm também a arte para mostrar. É o que acontece com O Tao do Trio, grupo curitibano que está lançando pela gravadora CID, o CD Uns Caetanos.
O disco, como o próprio nome já explica, é todo dedicado a composições de Caetano Veloso. Por ele desfilam canções mais ou menos conhecidas do superconhecido compositor e cantor baiano. O Quereres une-se a Uns, Pipoca Moderna a Trilhos Urbanos, Gema a Jeito de Corpo, e Eu te Amo a Sete Mil Vezes. E estão sozinhas as canções Dom de Iludir, Baby, Lindeza, Linha do Equador, Você é Linda, Gênesis, Louco Por Você, Mãe, Genipapo Absoluto e Cinema Novo. É um belo e amplo apanhado da produção de Caetano. Foi feito para as vozes de Helena Bel, Cristina Lemos e Suzie Franco, com arranjos precisos e criativos de Vicente Ribeiro. Na verdade, pode-se dizer que Ribeiro é o quarto do Tao do Trio, como se fosse um Dartagnan esgrimindo com a batuta e a pauta, comandando o trio de mosqueteiras vocais.
O grande acerto de Vicente Ribeiro, é não inventar muito e deixar as artistas livres para cantar sem arranjos mirabolantes, buscando sempre o melhor da cada uma. O erro, talvez tenha sido o de acabar com o instrumental das artistas, permitindo-lhes apenas a voz. Seria interessante ouvir também o violino de Bel, pelo menos. Mas isso não compromete em nada o trabalho, é apenas uma opção.
As três são acompanhadas por alguns dos principais artistas da música instrumental do Paraná, como Glauco Solter (baixo), Mario Conde (violão e guitarra), Endrigo Bettega (bateria e percussão), Sérgio Albach (clarinete), Romildo Weingertner (cellos), Ricardo Ô Rosinha (percussão) e o próprio Vicente Ribeiro (piano, violão e cavaquinho), entre outros.
Os arranjos de vozes são límpidos, claros feito água, mas não simplistas. Conseguem ter nuances que se vão notando ao repetir a audição. As intervenções, tanto instrumentais quanto vocais são sutis e bastante belas. O disco sustenta-se tanto em uma ouvida rápida, durante afazeres domésticos ou acompanhando a leitura de um jornal. Como também passa no crivo de uma audição mais detalhada, com atenção total.
Os destaques são para Dom de Iludir, com a voz delicada e sutil de Helena Bel a fazer um dueto com Sérgio Albach e seu clarinete. A música começa quase como uma seresta e se transforma num abolerado numa transposição insidiosa, quase desapercebida, como de resto em tudo o mais no disco.
Na sequência vem Pipoca Moderna, com as três cantando sem acomanhamento > musical, à capela. Mais uma vez, o arranjo vocal é simples e belo. Também simples e belo é o arranjo de cordas em Lindeza. A voz de mel de Helena Bel volta solo em Você É Linda, novamente com a participação do clarinete
de Sérgio Albach e as intervenções vocais precisas.
A não tão conhecida Gênesis, ganha arranjo de voz, cordas e percussão que vai num crescendo-animando-contagiante. Eu te Amo une-se a Sete mil Vezes como se fosse uma só música de primeira e segunda parte, com o Tao do > Trio acompanhado apenas pelo piano de Vicente Ribeiro. O clima despojado e belo é retomado na 12º faixa, Mãe, o trio se reveza nas vozes solo com o acompanhamento de piano e cello. Logo em seguida volta o sempre atencioso - que tanto chama a atenção quanto dedica sua atenção à música clarinete de Sérgio Albach, desta vez com a voz solo de Suzie Franco.
O grande final vem com a música Cinema Novo, homenagem de Caetano ao cinema brasileiro que é um verdadeiro quebra-cabeças de citações cinematográficas na letra, de difícil interpretação, mas que o Tao do Trio passa na prova com louvor, dando um final merecido a um disco que praticamente não tem notas baixas. Vale a pena conhecer esta produção. Se for difícil encontrar na sua cidade, entre em contato com o grupo pelo e-mail [email protected]. Vale a pena!


