Toda terça-feira a professora pede para a gente escrever alguma coisa na aula. Toda terça é a mesma coisa. Ela coloca alguma frase na lousa e todo mundo precisa escrever sobre o assunto. Essa semana ela colocou uma frase diferente: ‘‘O que é felicidade para você?’’
  No começo achei fácil. Depois achei difícil. Eu não queira fazer como a Ana que logo anotou que felicidade era ganhar três casas da Barbie de aniversário. Nem como o Murilo, que escreveu que felicidade era ver o time do Corinthians ganhar de 20 x 0 do São Paulo.
  Quebrei a cabeça e não consegui chegar a nenhum lugar. A felicidade não parecia algo fácil. Então escrevi: ‘‘Felicidade é quando a professora não pede para a gente escrever o que é felicidade.’’
  Acho que a professora achou a resposta meio esquisita, pois no dia seguinte me deu um livro para ler. Chamava-se ‘‘Selma’’. Um livro pequeno, daqueles que cabem na palma da mão, lançado pela Editora Cosac Naify.
  Escrito e ilustrado pela alemã Jutta Bauer, ‘‘Selma’’ narrava a história de uma raposa que, depois de queimar os miolos tentando saber o que era a felicidade, resolve perguntar ao velho e sábio bode. Para responder a pergunta, o bode conta a história de Selma.
  Selma era uma ovelha que levava uma vida simples fazendo aquilo que gostava de fazer. Coisas como comer grama, correr pelos campos, ensinar os filhotes a fazer bééé, conversar com a comadre Maria e dormir profundamente durante a noite.
  Um belo dia perguntaram para Selma o que ela faria se tivesse mais tempo, mais horas disponíveis para fazer as coisas. Sua resposta foi simples, continuaria levando a vida que levava. Talvez comesse mais grama, talvez ensinasse mais filhotes a fazer mais bééés.
  Na seqüência perguntaram outra coisa para Selma. O que ela faria se ganhasse na loteria, se ficasse rica? A resposta não foi muito diferente. A ovelha afirmou que continuaria fazendo o que gostava de fazer. Talvez conversasse mais com a comadre Maria, talvez corresse um pouco mais pelos campos.
  Pelo que entendi, felicidade para Selma era viver de maneira simples. Ela estava satisfeita com aquilo que tinha, com aquilo que fazia. As coisas boas eram justamente aquelas que estavam logo à sua frente, no cotidiano. Para Selma, a felicidade não era uma coisa mirabolante e grandiosa. A felicidade era encontrada na simplicidade.
  Talvez felicidade seja aquilo que a gente sente quando lê um livro. Um pequeno grande livro que narra a história de uma ovelha satisfeita com a simplicidade que a felicidade pode ter.


Serviço:

- Livro ‘‘Selma’’, texto e ilustrações de Jutta Bauer. Editora Cosac Naify, tradução de Marcus Mazzari, 56 páginas, capa dura, R$ 25,00.

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