Todo músico sonha, um dia, poder dominar as técnicas dos mestres de seu instrumento. O baterista Aquiles Priester, que ficou conhecido tocando na banda de heavy metal Angra, talvez tenha realizado a façanha. Há 5 anos ele figurou em quarta posição num ranking internacional dos 30 melhores bateristas do mundo, aparecendo à frente de nomes como Nicko McBrain (do Iron Maiden) e Lars Ulrich (Metallica).

Priester, 38 anos, estará hoje em Londrina ministrando um master class na loja Sonkey Video Som. O programa começa às 19h, precedido por aulas individuais à tarde, a partir de 14h. Durante as atividades, será comercializado o DVD ''Inside My Drums: Live in Concert'', registro de um workshop gravado pelo músico no auditório da EM&T (Escola de Música e Tecnologia) em São Paulo.

Nascido na África do Sul, o baterista chegou ao Brasil com 5 anos de idade. Passou a infância e adolescência em Foz do Iguaçu, depois mudou-se para Porto Alegre e posteriormente para São Paulo. Foi baterista do Angra durante seis anos e deixou a banda paulistana no começo deste ano, passando a se dedicar ao grupo de rock instrumental Freakeys e à banda Hangar, que havia formado em Porto Alegre (RS), em 1999.

Com o Freakeys, gravou um CD em 2005. Com a Hangar, lançou três álbuns e se prepara para lançar o quarto durante a feira Expomusic, no final de setembro em São Paulo. Na ocasião, ele lançará também o livro ''De Fã a Ídolo'', que conta sua trajetória.

Priester é admirado por seu estilo marcante, técnico e repleto de feeling, com especial destaque para o uso criativo dos dois bumbos. Entre 2004 e 2006, seu nome esteve entre os 30 melhores bateristas do mundo no ranking anual publicado pela revista japonesa Burrn!. Em 2002, ele foi eleito o melhor baterista de heavy metal do Brasil pelas revistas ''Rock Brigade'' e ''Roadie Crew'', as principais publicações especializadas do País. Na mesma temporada, apareceu em primeiro lugar numa votação do Whiplash, o site de música pesada mais visitado da atualidade.

Como vai ser sua apresentação em Londrina. O cartaz anuncia que você vai fazer um master class. Qual é a diferença entre essa atividade e os workshows que vocês costuma fazer pelo País?

No master class, a temática gira em torno do ensino da bateria de modo bem abrangente no que diz respeito à técnica, estudo e musicalidade. Já nos workshows procuro dar algumas pinceladas na parte técnica do instrumento, mas direcionando a atividade mais para o lado do entretenimento e execução de músicas, por contar com um público bem maior. O público gosta de ver todos os detalhes das músicas que eles ouvem nos discos por isso nos dois eventos costumo tocar algumas músicas para que eles possam ver de perto os meus truques.




O que é preciso para se tornar um grande baterista?

Dedicação e amor à música. Quando você decide ser músico, precisar saber que terá que estudar e se aperfeiçoar como qualquer outra profissão. Se você ainda tiver um pouquinho de sorte de estar sempre preparado para as possibilidades que aparecerem e aprender a catalisar tudo que faz, é impossível você não atingir seu objetivo. Não existe nada impossível para quem não mede esforços para realizar seus sonhos.


Em que pé está o disco que você gravou com o Hangar e que foi mixado na Alemanha?
O disco já está pronto, mixado e masterizado. É um álbum ousado, pois fomos ao extremo de tudo que já fizemos em termos de velocidade e técnica, como também fomos ao extremo em tudo que já fizemos para o lado mais acessível, mas não entendam esse ''acessível'' como comercial.


Quais as diferenças de som entre o Angra e o Hangar?

O Hangar é minha banda do coração e nunca deixei de atuar na banda porque sabia que tudo é incerto no futuro. Desde o disco ''The Reason of your Conviction'' a banda cresceu muito e deixou de ser a banda paralela do baterista do Angra. Agora nós temos vida própria e um público esperando pelo novo disco. Além disso, tem a música que é o principal e que tem tudo a ver com o estilo que toco, que é extremamente agressivo e técnico. Já no Angra sempre tivemos mais medo de arriscar, pois nosso fãs sempre foram muito fiéis e nunca quisemos decepcioná-los.


Quais motivos o levaram a sair do Angra?

Eu não tinha muito espaço para me expressar como compositor e letrista e não concordava com a forma como a banda era administrada. Em meu livro ''De Fã a Ídolo'', conto todos os detalhes da minha passagem pelo Angra.


Você já colocou ponto final no livro?

Estamos nas revisões finais e o livro também será lançado na Expomusic. É um livro sobre a minha história, que conta sem panos quentes tudo que já passei na minha vida. Para quem acha que para se ter sucesso na vida musical você precisa ter vindo de uma família de músicos, esse livro vai dar uma boa chacoalhada, pois há 23 anos, na época que eu ainda morava em Foz do Iguaçu, tracei um plano na minha vida que era tocar com o Nicko McBrain (baterista do Iron Maiden) e isso aconteceu em setembro de 2006 exatamente vinte anos depois de ter conhecido a banda na época do disco ''Somewhere in Time''. O evento aconteceu em Londres e tive o privilégio de ser anunciado por ele antes de eu subir no palco. De lá para cá, sempre que podemos nos falamos.

SERVIÇO
- Master Class com Aquiles Priester
Quando - Hoje, 19h
Onde - Sonkey Video Som (R. Souza Naves, 9), em Londrina
Quanto - R$ 35
Mais informações - (43) 3377-6800

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