Arquivo FolhaMaria Mariana: ‘‘Sempre tive vontade de escrever com minha mãe’’, diz MarianaMaria Mariana, autora de um dos diários mais conhecidos de que se tem notícia, desde que transformou suas anotações juvenis na peça ‘‘Confissões de Adolescente’’, já terminou a primeira versão do roteiro de uma série para TV que escreve com sua mãe, a autora Lenita Plonczynski. ‘‘Alma Surfista‘‘, título provisório, deve ter cinco episódios e vai discutir a relação entre mãe e filha tendo o surfe como pano de fundo.
Discutir relação entre mãe e filha, falar de surfe... parece outra história para adolescentes. Nem tanto. ‘‘Alma Surfista’’ parece estar mais para a evolução do que para a continuação de ‘‘Confissões de Adolescente’’. Passaram-se quatro anos desde a estréia da peça. Mariana cresceu, igual à geração que lotou os teatros. ‘‘Não tenho vontade de falar eternamente para esse público, mas também não quero deixar de falar com ele’’, diz Mariana.
Bel, a protagonista, tem 24 anos, assim como Mariana. Acabou de terminar um romance, assim como Mariana, e descobriu na mãe, também recém-separada, uma amiga, ‘‘de igual para igual’’, assim como Mariana. Se não é autobiográfico, como afirmam mãe e filha, tem na relação delas o eixo da trama.
Na história, mãe e filha viviam afastadas e redescobrem uma a outra no momento em que se vêem solteiras novamente. Mariana foi criada pelo pai, o dramaturgo Domingos de Oliveira, desde os 7 anos, após a separação do casal. Lenita foi morar em Teresópolis, região serrana do Rio. ‘‘Minha mãe foi morar na roça, no meio do mato, sem luz’’, lembra.
Dois anos mais tarde, Mariana começou a escrever seu diário, um exercício de nove anos (até os 18), quando seu pai descobriu aquela preciosidade e sugeriu a adaptação para o teatro. Confissões foi um sucesso. A peça rodou 12 Estados do Brasil e deu filhotes. Gerou a minissérie de 23 capítulos exibida pela Cultura e depois foi vendida para Israel, Finlândia, Grécia e França.
Crachá de mãeOs franceses ainda co-produziram mais 30 episódios, com metade do elenco francês, filmados no Brasil e na Europa. O livro ‘‘Confissões de Adolescente’’, lançado pela Relume-Dumará, vendeu 150 mil exemplares e está na 50ª edição; o audiolivro bateu o recorde de vendas do segmento na Polygram, com 5 mil cópias vendidas, e a Warner lançou 10 mil cópias dos três CDs da trilha, internacional e nacional, volumes 1 e 2.
O menos vendido foi o livro ‘‘Cara-Metade’’, escrito em parceria com o ex-marido, o baterista Galli, que ficou nos 10 mil exemplares da primeira edição. Lenita, redatora de seriados marcantes na Globo (‘‘Amizade Colorida’’, ‘‘Malu Mulher’’, ‘‘Ciranda Cirandinha’’) sentiu orgulho da filha famosa. ‘‘O sucesso dela me emociona’’, diz.
Quando foi assistir à peça da filha pela primeira vez, Lenita achou que aquela fila que dobrava o quarteirão da Praia de Ipanema era para outro espetáculo. Era para Confissões e Lenita quase ficou de fora. ‘‘Por pouco não fui obrigada a usar meu crachá de mãe’’, lembra, sorrindo.
Mariana e Lenita queriam trabalhar juntas havia anos. ‘‘Sempre tive vontade de escrever com minha mãe’’, diz Mariana. ‘‘Sempre quis me aproximar dela no trabalho’’. Lenita completa: ‘‘A gente sempre falava em escrever juntas, mas nunca começávamos’’. As duas reúnem-se duas vezes por semana para criar. Nessas horas não são mãe e filha, mas, como explica Lenita, ‘‘duas escritoras atrás de idéias, inventando personagens’’. De igual para igual.

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