O ''stand-up comedy'' se alastra pelo País. Consagrado há décadas nos Estados Unidos, esse gênero humorístico vem revelando uma nova geração de comediantes no Brasil, que se apresentam de pé ao microfone contando apenas com o texto e o talento para arrancar risos da platéia.
O ator, dramaturgo e diretor Márcio Américo reivindica o pioneirismo do formato em Londrina. Amanhã, às 22 horas, ele estréia seu primeiro espetáculo calcado no ''humor de cara limpa''. A noitada foi batizada de ''Sexta Dentro''. O palco será o Cemitério de Automóveis, onde aproveitará para fazer o lançamento do romance policial ''Corações de Aluguel'', seu novo livro.
''O stand-up é o supra-sumo do humor'', diz ele. ''Não é o tipo de espetáculo em que o sujeito fica contando piadas ou protagonizando números ou personagens. No stand-up, o artista tem que ser virar sozinho de pé e sem figurino tecendo comentários ou observações irônicas sobre assuntos diversos. Vou falar, por exemplo, sobre os ícones da televisão local, a Câmara de Vereadores de Londrina, as diferenças entre homens e mulheres, o prefeito Nedson, entre outros temas''.
A intenção de Américo é apresentar-se sempre às sextas no Cemitério de Automóveis, mas não sozinho. ''Quero criar um grupo de comediantes na cidade para se revezarem ali a cada espetáculo montado. A idéia é realizar oficinas e laboratórios de texto e interpretação, além de aglutinar os atores para troca de experiências'', explica. Os interessados já podem procurá-lo. Os contatos podem ser feitos pelo cel. 9945-4984.
Américo lamenta que o humor em teatro ainda seja menosprezado. ''Dizem que o humor é um gênero menor quando, na verdade, ele é muito difícil e complexo. Quem atua na área, também faz personagens sérios. O mesmo não se pode dizer de atores 'sérios', que geralmente não conseguem se sair bem ao trabalhar com humor. O humor não é para qualquer um. Quem monta uma peça dramática, não sabe se o público gostou ou não. Quem monta uma comédia, sabe na hora'', salienta.
Ele conta que a estréia do espetáculo foi a oportunidade para divulgar seu novo livro, ''Corações de Aluguel'', escrito há dez anos. A obra saiu da gaveta pelo selo paulistano Demônio Negro, que já publicou autores como Glauco Mattoso, Silvio Back e Furio Lonza. ''O editor Wanderley dos Santos leu meu livro anterior, o 'Meninos de Kichute', e se interessou em lançar meus trabalhos. Um dia ele me ligou e perguntou se eu tinha algo para ser publicado. Foi assim''.
O citado ''Meninos de Kichute'' ainda vai dar o que falar. O livro vai virar filme nas mãos do diretor Lucas Amberg, que comprou os direitos de adaptação e escreveu o roteiro com o autor. O projeto está em fase de pré-produção contando com recursos do Prêmio Incentivo da Petrobrás e do Prêmio Incentivo da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O elenco será definido essa semana.
''O Lucas não quer trabalhar com atores formados. Ele vai fazer testes com garotos na periferia de São Paulo. E como a narrativa é ambientada em Londrina, serão feitas algumas locações por aqui. Ele diz que o céu de Londrina é muito bonito''. Américo revela que fará uma ponta no filme, que terá participação do cantor Sílvio Brito e do consagrado ator Paulo César Pereio.
Outro projeto do artista é um novo livro, que será uma continuação de ''Meninos de Kichute''. O foco estará voltado para a cena teatral londrinense da década de 80.

SERVIÇO
- Show de humor e lançamento do livro ''Corações de Aluguel''
Quando - Amanhã, às 22h
Onde - Cemitério de Automóveis (R. João Pessoa, 103), em Londrina

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