O SUINGUE QUE A ROSA TEM
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2001
Antônio Mariano Júnior De Londrina 
Vejam só como são as coisas. Após uma apresentação em Recife, há alguns anos, Rosa Passos recebia os cumprimentos dos admiradores no camarim. Entre os presentes, um senhor simples se aproximou timidamente dela e fez um comentário que até hoje a cantora e compositora baiana guarda com carinho em sua memória afetiva: Ele chegou para mim e disse: dona moça, a senhora é pequenininha mas no palco fica do tamanho de um armário. Foi um dos elogios mais lindos que já ouvi. O porquê dessa história? Simples: é que mesmo fazendo um trabalho considerado elitista e sofisticado, Rosa Passos consegue alcançar até quem não é bem informado musicalmente.
Quem conhece sabe o que essa dona moça e seu suingue jazzístico são capazes de provocar. Quem não conhece terá oportunidade hoje e amanhã, em Londrina, de ver e ouvir Rosa Passos destilando seu talento aclamado inclusive ou principalmente nos circuitos de jazz do mundo afora. O show acontece às 21 horas, no Royal Golf (Club House) e o repertório inclui músicas próprias, além de canções de Tom Jobim , Ary Barroso e Dorival Caymmi. Todas desenhadas e/ou redesenhadas na batida e quebradas rítmicas inconfundíveis que Rosa Passos extrai de seu violão. Para acompanhá-la, Fábio Torres (piano), Marcus Teixeira (guitarra), Edu Ribeiro (bateria) e Zeli (baixo).
Essa é a primeira vez que Rosa pisa em palco londrinense. Mais uma vez a cidade recebe uma artista imensa. E como sempre, os imensos só vêm a Londrina graças à iniciativa privada nesse caso através da Teixeira & Holzmann, empreendedora do Royal Golf Residente. Pena que as apresentações sejam restritas apenas aos moradores do condomínios e convidados especiais.
Rosa está na estrada há mais de 20 anos. Oito discos, o mais recente interpretando músicas de Dorival Caymmi. Uma carreira sedimentada aos poucos. No exterior em alguns países da Europa e no Japão o prestígio e acolhimento sempre foram maiores. No Brasil, o prestígio sempre existiu, mas só de uns anos para cá é que o grande público se dispôs a deitar olhos e ouvidos sobre o trabalho de Rosa Passos. O público aqui está se chegando cada vez mais. Estou tocando em lugares que nunca havia ido e as pessoas que comparecem aos meus shows vão sabendo quem eu sou, tanto como intérprete como compositora analisa.
E é verdade!! Tanto que quando começou a despontar na terrinha através dos ecos vindo de países estrangeiros alguém o sujeito é indeterminado, mas pelo jeito encantado com o trabalho de Rosa achou por bem classificá-la como a versão feminina de João Gilberto. Passou a ser conhecida, por uns tempos, como tal, ou melhor, como a João Gilberto de Saias. Ela refuta: Acho um elogio ser comparada a ele pela qualidade de sua arte. Mas eu não fico sentada no banquinho tocando apenas Bossa Nova. Eu expandi meu trabalho e faço boleros, sambas, fados só que com um toque jazzístico, analisa a cantora. Deve ser por isso que o encastelado João Gilberto vira e mexe a elogia pessoalmente , quando essa ou aquela canção lhe chama a atenção.
A musicalidade de Rosa Passos é singular. A característica principal em breves palavras estaria na maneira com que redesenha compassos e sai da linearidade. Músicas saturadas, como Aquarela do Brasil ou Marina, por exemplo, ganham contornos rítmicos improvavéis a outros intérpretes e instrumentistas. Essas quebradas no ritmo me vêm muito fáceis. Se eu me proponho a ser uma intérprete tenho que dar um toque pessoal, explica.
A sonoridade da artista é sofisticada sim, mas não inacessível. Ou seja, é direcionada a pessoas de bom gosto e isso independe de classe social. É, trocando em miúdos, música brasileira com solavanco de jazz. Música de alta qualidade, pois! Encaro meu trabalho como uma missão. É como se da minha voz saissem mantras para passar paz às pessoas, diz poeticamente. Quem já a viu atuando ao vivo e em cores há de concordar: no palco Rosa Passos estilhaça, comove, instiga, faísca!! Apelemos ao clichê: se é Rosa na vida, ela também sabe ser Rosa na música!!
Show com a cantora, compositora e instrumentista Rosa Passos. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Royal Golf Clube House (Rua Eliana Maria Tarasconi Peixe, 300, atrás do Catuaí Shopping Center), dentro do projeto Royal Golf in Concert. Participação dos músicos Fábio Torres (piano), Marcus Teixeira (guitarra), Edu Ribeiro (bateria) e Zeli (baixo). O show é restrito a moradores do condomínio e convidados. Informações pelos telefones (43) 327.4133 e 327.6676


