O sucesso 'mágico' dos bruxos e vampiros
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O que pode haver de comum entre um bruxinho que vive mil aventuras mágicas, a quem seus fãs acompanham até a maturidade e a história de um amor impossível entre uma mortal e um belo vampiro? O primeiro, Harry Potter, fez estreia mundial de seu sexto filme na semana passada, com bilheterias esgotadas semanas antes. Enquanto isso, o romance iniciado entre Edward e Bella em Crepúsculo vai pelo mesmo caminho. Os quatro primeiros livros da série estão na lista dos mais vendidos em todas as livrarias do planeta. Mas afinal, o que têm de novo nesses dois enredos para justificar uma avalanche de leitores e espectadores (já que alguns livros viraram filmes) pelo mundo afora?
Na opinião do psicanalista Ailton Bastos a grande pegada dos livros das séries Harry Potter e Crepúsculo é conseguir uma identificação direta e indireta com o público adolescente, usando uma linguagem contemporânea para falar de situações que trazem para os livros a fase de desenvolvimento pelo qual eles estão passando.
''Não podemos deixar de considerar o modismo que acaba atraindo e motivando os adolescentes a consumirem esse tipo de leitura. Mas, de qualquer forma, todo adolescente tem algo narcisista de gostar de se ver. Eles querem identificação e esses livros acabam sendo o 'espelho' por onde podem ver refletidas as suas angústias, incertezas e busca por afirmação'', pontuou.
Não sendo imposta formalmente pelos pais ou professores, a leitura desses livros acaba sendo uma atividade prazerosa e o prazer é a grande motivação da adolescência. ''Tudo o que o adolescente faz é intenso e quando motivados não medem qualquer sacrifício para realizar os seus objetivos. Leem centenas de páginas em uma semana, levam os livros para a escola e até querem lê-los na sala de aula'', acrescentou.
E quando chega a hora da escola exigir a leitura de um autor como José de Alencar, por exemplo? ''Na verdade, cabe ao professor ser uma ponte, 'traduzir' esse texto aos alunos, mostrando que ele também trata de temas universais que podem ser reconhecidos por eles, mas que estão escritos de uma forma diferente'', sugeriu Bastos.
''O ideal é aproveitar essa descoberta pelo gosto da leitura e depois ir apresentando outros gêneros. Os livros do Harry Potter e da série Crepúsculo, na minha opinião, são contos de fadas contemporâneos reeditados. E o mágico, o sobrenatural inserido nesses livros traz aspectos simbólicos da mitologia e da fantasia que fazem parte da nossa constituição psíquica também na fase adulta, mesmo que de forma inconsciente'', avaliou o psicanalista.


