O sucesso do vira-lata
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segunda-feira, 04 de julho de 2011
João Fernando <br>Folhapress 
São Paulo - Em 1907, quando representou o Brasil na Segunda Conferência Internacional da Paz, em Haia, na Holanda, o jurista e escritor Ruy Barbosa não imaginava que a sua tataraneta ficaria famosa ao propagar o ódio, chamando Deus e o mundo de vira-lata, na pele de uma patricinha da novela das sete da Globo. Parente do político de destaque na história do país, a atriz Marina Ruy Barbosa, de 16 anos, tem chamado a atenção por causa das malcriações da Alice de ''Morde & Assopra''.
Cruel na ficção, a adolescente jura que, na vida real, não seria capaz de cometer tantas maldades como a personagem -que destrata empregados e quem julga ser inferior socialmente. ''Nunca vi alguém tratar os outros da mesma maneira que ela. Acho que não aguentaria presenciar essa falta de respeito com o próximo'', fala.
Apesar de o antepassado ilustre ser conhecido como Rui com ''i'', por causa da fundação que leva o seu nome, a grafia correta é com ''y'', como o da atriz, afirma a mãe dela. ''Por causa de um reforma ortográfica dos anos 1940, o nome mudou, mas a família toda foi registrada com ''y' mesmo'', diz Geoconda Ruy Barbosa, mulher do trineto do político.
O bordão ''vira-lata'' pegou, e Marina afirma que o público transformou o xingamento. ''Escuto muitas pessoas chamando as outras de ''vira-lata'', mas apenas como brincadeira'', conta. A atriz fala que os telespectadores ficam curiosos para saber se ela tem a arrogância de Alice. ''Sempre perguntam se sou igual a ela. Eu respondo que só a Alice é assim, que a Marina é fofa.''
Sensível, a jovem se sente mal depois de agredir verbalmente os companheiros de estúdio. ''Sempre abraço e beijo meus colegas, todos entendem que faz parte do momento da cena'', revela.
Intérprete de Guilherme, ex-noivo de Alice na trama e alvo constante das crueldades da vilã, Klébber Toledo não liga de ser maltratado em cena. ''Até brinco com ela e falo: 'Deixe de ser assim'. Falo que ela tem de esculachar, o personagem pede'', diverte-se o ator, que nunca foi humilhado por nenhuma mulher. Ele foge do assunto quando questionado sobre os rumores de que os dois estariam namorando na vida real: ''Não falo da minha vida pessoal''.
Se depender do público, Alice vai passar de vilã a mocinha. ''As pessoas comentam que não gostam das malcriações dela, que isso não é jeito de tratar as pessoas. Elas me pedem muito que eu dê lições à personagem, para ela deixar de ser esnobe e passar a tratar os outros melhor'', diz o autor Walcyr Carrasco, sem contar qual será o futuro da patricinha. O novelista não demorou para escalar a ruiva para o papel. ''Ela tem uma docilidade e uma feminilidade essenciais para compor a Alice'', rasga-se.
Quando não está diante das câmeras nem na escola, Marina gosta de sair por aí fotografando. ''Meus temas preferidos são paisagens e pessoas'', diz. A um ano do vestibular, a adolescente não tem dúvidas sobre qual formação deseja. ''Quero continuar atuando nos palcos e nas telas. Mas pretendo fazer faculdade de cinema para que me acrescente mais conhecimento teórico e prático, complementando o meu trabalho como atriz'', explica ela, que gosta de ser abordada pelos fãs e até por colegas de classe: ''O assédio é normal e prazeroso para mim''.
Destaques da trajetória
❑ Começar de Novo (2004)
aos 10 anos, a atriz estreou em novela e viveu um anjo mudo, que guardava mistérios dos outros personagens
❑ Belíssima (2005)
Ainda criança, ela encarnou a grega Sabina e contracenou com os veteranos Fernanda Montenegro e Tony Ramos
❑ Sete Pecados (2007)
Na trama escrita por Walcyr Carrasco, ela deu vida a Isabel, filha de Clarice (Reynaldo Gianecchini) e Dante (Giovanna Antonelli)
❑ Tudo Novo de Novo (2009)
No seriado, Marina interpretou a jovem Bia, que sofria com as confusões amorosas dos pais
❑ Escrito nas Estrelas (2010)
Como a adolescente rebelde Vanessa, filha de Jane (Gisele Fróes), ela lançou moda por sua personagem manter um visual ousado
❑ Morde & Assopra (2011)
Na pele da arrogante Alice, ela tem roubado a cena com o desprezo que sente pelos empregados


