O sucesso depois do silêncio
Pierre Glachant
France Presse
O guitarrista de origem mexicana Carlos Santana sempre privilegiou seus gostos eclécticos, favoráveis a fusões culturais, sempre acima das exigências comerciais das modas passageiras.
Aos 52 anos, o músico realizou uma espetacular volta ao topo das paradas de sucesso, com seu último álbum, Supernatural, um estrondoso sucesso na 42ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Fonográficas, ganhador de oito troféus.
Para Santana, que não gravava num estúdio há sete anos, Supernatural, disco que contou com a participação de vários músicos de prestígio, representa uma retomada da música mestiça que marcou toda a sua carreira: nele, cabem rock, blues, música africana, ritmos latinos e até hip-hop.
Santana reafirmou sempre sua independência. Em 1988, dizia: Eu não moldo minha vida em função da Rolling Stone, Pope ou Billboard, as revistas que acompanham de perto as tendências e o sobe-e-desce do mundo do rock-and-roll.
Se ainda puder sentir um arrepio com o que faço, para mim não faz diferença se vou tocar em frente à Macys (uma loja de departamentos) ou no Madison Square Garden, dizia ele.
O público, longe de abandoná-lo, se manteve fiel, primeiro surpreso, depois seduzido por suas curiosidades musicais de todo tipo, na nova obra.
Carlos Santana sempre se sentiu à vontade com o cruzamento de influências tão diversas como o rock, a música latino-americana ou africana, o jazz ou o rythm-and-blues.
Os Grammy que Santana recebeu - antes, só havia recebido um, em 1988, de melhor interpretação instrumental de rock com Blues for Salvador- são o reconhecimento a uma carreira iniciada em San Francisco, há mais de três décadas.
Carlos Santana nasceu em 20 de julho de 1947, em Autlán, no estado mexicano de Jalisco. Seu pai, José, um violinista que integrava um grupo de mariachi, revelou a ele o mundo da música tradicional mexicana aos cinco anos.
O jovem Santana começou sua carreira artística em 1961, como guitarrista em casas noturnas na cidade fronteiriça de Tijuana (Baixa Califórnia), onde vivia desde os 11 anos. Seus ídolos eram então B.B. King, Ray Charles e Little Richard.
Em pouco tempo, se mudou para San Francisco e ficou fascinado pela riqueza musical da Califórnia, uma cornucópia da abundância, diria mais tarde.
Fundou então a Santana Blues Band, que logo passou a se chamar simplesmente Santana, como seu álbum inaugural, o primeiro dos seis que fez com a Colúmbia. O grupo se apresentou no legendário festival de Woodstock, em 1969. Foi o começo do sucesso.
Santana logo se sentiu seduzido pelo jazz e tocou um tempo fora de seu grupo, principalmente com o baterista Buddy Miles.
No começo dos anos setenta, descobriu a meditação e começou a se preocupar com questões espirituais. Gravou Amigos em 1976 e Zebop! em 1981, dois álbuns que venderam muito bem.
Apesar de sua profunda espiritualidade, considerava que o que realmente contava para ele era a música. O tom de Miles Davis ou as queixas de John Lee Hooker, explicou um dia no começo dos anos oitenta à Billboard, esse tipo de coisa (...) me toca muito mais que uma centena de gurus, um milhar de iogues e 1.500 papas.





