Ela já é figura bastante conhecida no cenário musical de Londrina. Samba é um ponto forte, mas avisa que carrega repertório baseado na miscelânea de estilos. Prestes a completar 24 anos, a cantora e compositora Joyce Cândido antecipa as comemorações com o lançamento de ''Panapaná'', seu primeiro CD, hoje à noite, no Teatro Crystal Palace. Aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo e Cultura (Promic) no início desse ano, o trabalho, que também teve patrocínio da Fundação Nova América (Assis, SP), foi integralmente gravado em Londrina e produzido pelo músico João Vidotti.
Com sua determinação capricorniana, Joyce partiu de Maracaí (SP) aos 17 anos para cursar a faculdade de Música na UEL. Desde então, não parou mais. Teatro, dança, balé e, claro, mais música. Para o show de hoje, ela prepara um lançamento especial com direito a incursões de poesias locais e citações de Fernando Pessoa.
Romantismo que transparece inclusive no projeto gráfico do encarte encabeçado por Rafael Solci de Oliveira. Como bem adiantou, seu disco de estréia passeia livremente pelo samba, acena para o reggae, flerta com o Jazz, dá as mãos para um rock funkeado e abre as portas para a Bossa Nova. Assim, livre como panapaná - designação de borboleta em tupi-guarani. Joyce assina boa parte das músicas e letras. Algumas confessionais, como ''Impossível'' (''É mesmo tão Clichê cantar a perda de alguém que foi embora, e eu nem sei por que''); e também singelas como ''Jasmim'', a música de trabalho (''Mas eu continuo aqui plantadinha, esperando que plantem um dia um jasmim pra mim). Há espaço para letra de Luiz Tatit - uma referência para a cantora - com ''Capitu'', que recebeu arranjo compassado do trio piano-baixo-bateria. A belíssima ''Baleia'', de Bernardo Pellegrini, se destaca pelo arranjo orgânico - norteado por um violão de sete cordas e acordeon - e poesia (''Quando eu te vi havia um céu todo azul, todo estrelado. E foi assim que tudo começou, e foi tão bom tudo ter começado na beira da estrada'').
Joyce tem asas e dá indícios que voará cada vez mais longe. A seguir os principais trechos da entrevista que a cantora e compositora concedeu a Folha2.

Como você define esse trabalho?
Esse é meu primeiro CD em estúdio e reúne canções de amigos meus, canções minhas e de todas elas eu gosto muito, pois foram escolhidas a dedo. Quem ouve percebe que são músicas de muitos estilos, é bem eclético. Eu defino um trabalho com todas minhas influências: da faculdade de música, das pessoas com quem eu toquei - que são bem diferentes umas das outras - bandas de samba, especial de música raiz, entre outras.

De onde surgiu a idéia para o nome do CD?
Eu queria um nome que tivesse relação com borboleta, então a gente foi pesquisar. Descobrimos que panapaná é o coletivo de borboleta e também significa borboleta em tupi-guarani.

E sobre as suas influências musicais, quais são elas?
Eu gosto muito do samba, então eu canto bastante coisa do Cartola, Noel Rosa, Chico Buarque. Também gosto bastante da Maria Bethânia. Dos mais atuais, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti e Badi Assad. Ouço também José Miguel Wisnik e Luiz Tatit, que são os principais compositores da Ná Ozzetti e Mônica Salmaso. Enfim, é o que eu tenho mais ouvido.

Você acabou se difundindo em Londrina através do samba. Optar por um repertório eclético seria uma alternativa de se desvincular daquele rótulo de ''cantora de samba''?
Acho que sim (risos). Eu comecei a fazer muito show de samba, o que acabou dando certo - e eu gosto muito! Então fiquei conhecida como ''a menina do samba'', mas eu adoro isso. Não acho que isso seja um problema, de maneira alguma. Eu adoro samba, aliás, meu cachorro se chama ''Samba''. Mas eu canto outras coisas, então quis deixar isso em evidência, para não ter que só cantar samba. Não me importo com os rótulos, mas se eu quiser cantar outra coisa eu canto mesmo. Eu acho que o ser humano é de fases, se tem uma época que eu quero cantar tropicália, eu canto; se eu quiser gravar um rock, eu gravo. A gente tem que ser livre, já que a arte não é uma coisa estática.

Serviço
- Show de lançamento do CD ''Panapaná'', de Joyce Cândido. Hoje, às 20h30, no Teatro Crystal (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Ingresso: R$ 10,00 com direito ao CD.

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