Will Eisner elevou os quadrinhos ao status de arte. Tornou-se um dos poucos artistas mundiais do gênero a conquistar unanimidade. Criado no Brooklyn, em Nova York, começou a desenhar tiras para jornais americanos em meados da década de 30. Ficou famoso ao criar a série ''Spirit'', que publicou entre 1940 e 1952.
''Spirit'' era Danny Colt, um detetive mascarado que combatia o crime apenas com seus punhos e sua inteligência. Elegante e charmoso, sempre perdia o chapéu nas brigas com bandidos. Comparado a Super-Homem e Batman, surgidos quase na mesma época, era a antítese do super-herói. Suas histórias combinavam humor, ação, sensualidade, lindas mulheres e vilões maquiavélicos - tudo em linguagem inovadora para os padrões das HQs.
Eisner usava uma técnica singular que apresentava iluminação e enquadramentos inspirados no expressionismo alemão. Após pôr fim à série, o artista passou a se dedicar ao uso educacional dos quadrinhos desenhando material didático para o Exército, escolas e fábricas. Só retornou à criação de aventuras em 1978, quando cunhou o termo ''novela gráfica'' (graphic novel) ao lançar o álbum ''Um Contrato de Deus'', ambientado nos anos 30 e assumidamente autobiográfico.
A idéia era convencer o mercado editorial de que quadrinhos podiam ser mais do que simples entretenimento infantil. A intenção era diferenciar suas narrativas complexas das antigas tiras de humor, os comics. Eisner não gostava dessa expressão, que achava depreciativa. Dizia que ''comics'' lembrava ''kleenex'', um lenço de papel. ''Um Contrato com Deus'' é considerada oficialmente a primeira graphic novel moderna.
A partir dessa obra, os quadrinhos deixaram de ser vendidos apenas em papel vagabundo, a preço baixo, para consumo imediato. Ganharam status literário, passando ser distribuídos em livrarias com um acabamento de luxo. Trabalhando em seu estúdio, na Flórida (EUA), Eisner tornou-se o grande cronista da Nova York do século 20. ''O Edifício'', ''No Coração da Tempestade'', ''Avenida Dropsie'', ''O Último dia no Vietnã'', ''O Nome do Jogo'', ''Fagin, o Judeu'' e ''O Complô'' são outros títulos que integram a galeria de obras-primas desse artista completo.
Ele deixou também uma generosa contribuição como teórico dos quadrinhos escrevendo dois livros básicos para se entender o meio: ''Quadrinhos e Arte Sequencial'' e ''Narrativas Gráficas''. ''Somos a nova literatura porque estamos empregando uma linguagem que combina a imagem e o texto, que são definitivamente fundamentais neste era que se move rapidamente'', afirmou certa vez. Quando morreu, no dia 3 de janeiro de 2005, surpreendeu o mundo já que continuava em plena atividade despejando genialidade sobre o papel.(N.S)

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