O SOTAQUE FAZ A DIFERENÇA
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Agência Folha 
Os nomes de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares estão ligados às tramas nordestinas recentes como ''Tieta'', ''Fera Ferida'', ''Pedra Sobre Pedra'' e ''Meu Bem Querer''. ''Esse universo amalucado do clima nordestino diverte as pessoas e rende muitas histórias. Além disso, de uma aldeia estamos refletindo o país'', diz Ricardo Linhares, que nasceu no Rio de Janeiro, mas passou boa parte da infância na Bahia.
Já Aguinaldo Silva é pernambucano. ''Conhecemos bem esse universo e desenvolvemos um traço característico nas novelas. Não significa que vamos sempre nos prender a essa temática'', fala Linhares.
Mauro Alencar, especialista em telenovelas pela Universidade de São Paulo (USP), define o estilo dos dois como folclórico. ''É diferente do estilo de Benedito Ruy Barbosa, por exemplo, que aborda problemas políticos e sociais, como ocorreu em ''Renascer''', afirma Alencar. Apesar disso, o que não falta em ''Porto dos Milagres'' são problemas políticos e sociais. ''A trama fala bastante de política porque reflete um momento que o país vive'', diz Linhares.
Nos passeios nordestinos de Linhares e Aguinaldo Silva, a Bahia é referência frequente. Além de ''Porto'', o Estado foi cenário de ''Tieta'' (1989) e ''Pedra Sobre Pedra'' (1992). Outros pontos, como Pernambuco (''A Indomada'', 1996), Sergipe (parte de ''Tieta'', 1989) e Ceará (''Meu Bem Querer'', 1998) já foram retratados. Esta última, aliás, foi a primeira novela das sete inteira a se passar no Nordeste e a primeira história assinada apenas por Linhares.
Outras novelas como ''Roque Santeiro'' (1985), esta de Dias Gomes, e ''Fera Ferida'' (1993) não eram claramente nordestinas. ''Tinham todo o clima. Na primeira versão, que foi proibida pela censura em 75, ''Roque Santeiro'' era na Bahia. Dez anos depois, o autor decidiu não localizar a trama'', conta Alencar.


