Blixa Bargeld, Andrew Chudy, Alex Hacke e F. M. Einheit: integrantes do Einsturzende Neubauten‘‘Eins ... o quê?’’, perguntará a maioria dos leitores, que não têm a obrigação de saber o nome de uma das bandas mais interessantes e criativas da Alemanha, até porque seus discos não são lançados no Brasil e a ‘‘crítica especializada’’ tupiniquim prefere especializar-se em obviedades. Liderado pelo vocalista e guitarrista Blixa Bargeld (nome artístico - de inspiração dadaísta - de Christian Emmerich), o Neubauten surgiu no underground berlinense no início dos anos 80, tornando-se um paradigma do som industrial, pelo uso inventivo dos ruídos (produzidos por lixadeira, chapas e tubos de metal, correntes, papel amassado ou friccionado, navalha sobre espelho, furadeira e sucata em geral). Blixa, no entanto, tem motivos de sobra para, hoje em dia, recusar o rótulo ‘‘banda industrial’’, que ainda é frequentemente aplicado ao seu grupo. Do primeiro álbum, ‘‘Kollaps’’, de 81, até o sétimo e mais recente trabalho de estúdio, ‘‘Ende Neu’’, gravado em 96, a banda evoluiu de uma percussão crua, agressiva, primitivista, para um alto nível de sofisticação: agora convivem com os ruídos (inclusive de vários motores funcionando ao mesmo tempo, como na faixa ‘‘NNNAAAMMM’’, a mais longa de ‘‘Ende Neu’’) e um profundo senso rítmico de melodiosos violinos, cellos, violas, órgão e piano, entre outros instrumentos convencionais. Como resultado, o som de Neubauten conseguiu a proeza de tornar-se, a um tempo, mais elaborado e mais acessível, sem abdicar da criatividade.
Pois bem ... o Neubauten finalmente virá ao Brasil, trazido pelo Goethe-Institut. A intenção inicial era fazer shows em várias capitais - Curitiba, entre elas. No entanto, após sondar o interesse do público e tentar obter patrocínios, o Goethe local desistiu da idéia de trazer a banda à capital paranaense. Com isso, mais uma vez, os curitibanos perdem a chance de assistir a uma apresentação musical inteligente e histórica. De quem é a culpa?
Em tempo: pelo menos em São Paulo, o show está confirmado e acontecerá em outubro, em data a ser definida. Segundo me diz, por telefone, o diretor do Goethe-Institut em Curitiba, o pessoal de Porto Alegre, Rio e Salvador também manifestou interesse, mas nestas capitais, a exemplo do que aconteceu aqui, os patrocínios, até o momento, não foram viabilizados.

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