Um homem e um instrumento vindos de um país longínquo. Da antiga Pérsia, atual Irã, veio Houshang Behrouzi, comerciante de tapetes persas. Da terra natal de grandes pesonagens históricos, como os reis Dario, Ciro e Xerxes, Houshang trouxe seu instrumento, o santur. Homem e instrumento se apresentam amanhã, na sede da Associação Médica de Londrina (AML), acompanhados pela cantora Glória Behrouzi, esposa de Houshang.
A família Behrouzi chegou no Brasil em 1977, quando ventos muçulmanos já prenunciavam o início da República Islâmica do Irã. Dois anos depois da mudança dos Behrouzi, em 79, a antiga Pérsia assistiu ao fim da dinastia do Xá Reza Pahlevi, que saiu de cena para dar lugar à era dos aiatolás.
Os Behrouzi instalaram-se em Rolândia e em Londrina, onde vendem exemplares preciosos da tapeçaria persa. Houshang, o instrumentista, 68 anos, nasceu em Teerã, capital do Irã, numa família de sete irmãos. Foi lá mesmo que se casou e teve dois filhos, que hoje moram no Estados Unidos. Depois da vinda para o Brasil Houshang voltou ao Irã apenas uma vez, mas em Teerã ainda moram várias pessoas da família Behrouzi.
A história de Houshang com o santur começou em Teerã, onde ele tirou os primeiros acordes, quando tinha 27 anos. Ex-bancário na cidade natal, ele conta que aprendeu a tocar o instrumento sozinho, de ouvido. Um dos irmãos de Houshang fabricou artesanalmente o santur que amanhã vai ser apresentado aos londrinenses. De nogueira, uma árvore nobre, o instrumento é, por si só, um objeto de arte. Decorado tal qual marchetaria, com minúsculos pedaços de madeira incrustados na caixa, formando desenhos e figuras geométricas, o santur é muito popular no Irã. Cada um dos nove pontos do instrumento é composto por quatro cordas. Para tocar, são necessários dois hezrab, que na língua persa significa palito.
O som que se tira do santur, diz Houshang, é místico e sugestivo, características dos intrumentos originários dos países do Oriente Médio. Tradicionalmente, as mulheres não tocam o santur no Irã, que aparece em execuções musicais eruditas e populares acompanhado de violinos, ou de instrumentos de percussão. Em gravuras da Idade Média existem representações do santur, que também era conhecido na Europa. Entre os curdos, povo despatriado que hoje vagueia por algumas regiões do Irã, Iraque e Turquia, o santur também é muito conhecido. Segundo o diretor musical do projeto de música antiga da UEL, Elimar Plínio Machado, o instrumento é uma espécie de precursor do piano.
Sempre tocando como convidado, Houshang já fez várias apresentações em muitas cidades do País. Amanhã o público vai ouvir, além de peças folclóricas persas, uma música típica dos países do Oriente Médio. Essa canção, chamada Havanaguila, muito popular entre os judeus, já apareceu até em filmes no Ocidente. Tocada nos kibutz e em festa de casamento judeu, a Havanaguila também é executada em festas dos povos curdos e árabes.
Após a apresentação de Houshang Behrouzi, haverá o encontro do Coral da Associação Médica de Londrina com o coro adulto da UEL. A coordenação do encontro de corais é da regente Juliana Martins dos Santos. A entrada é franca. Horário: 20h30.
Concerto de Houshang e Glória Behrouzi (santur e canto) e apresentação do Coro Adulto da UEL. Sábado, na Associação Médica de Londrina, a partir das 20h30.

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