O som eclético de Maria Gadú
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Uma mistura de samba e rock, viajando pelo pop, uma atitude descontraída, levemente debochada, que lembra um pouco a ironia punk. Maria Gadú vem acumulando elogios por onde passa e é considerada a grande revelação da música popular brasileira em 2009. A cantora paulistana, de 22 anos, toca amanhã pela primeira vez em Curitiba.
Aos 13 anos, Maria Gadú já se apresentava em bares da capital paulista. Cantava Marisa Monte e o que mais viesse. ''Não fiz aula de música mas aprendi muito com as pessoas. Era como se fosse um ensaio constante, estava me aprimorando enquanto tocava de bar em bar e fazia participações em outras bandas.''
Ela chegou a fazer uma breve excursão pela Europa, onde absorveu outras sonoridades. ''Já tocava com o Doda, percussionista que mora comigo até hoje, e fui com ele para um festival de música em Verona. De lá a gente foi ficando e foi tocando, tipo andarilho na Itália, com violão nas costas'', lembra.
Essa bagagem de tocar em bares na vida noturna paulistana e de conhecer pessoas mais velhas, além da própria viagem à Europa, é que moldou o trabalho eclético de Maria Gadú, que mistura de tudo um pouco, de Marisa Monte a Cassia Eller.
Impressionado com o talento da moça, o diretor global Jayme Monjardim decidiu incluir a artista na minissérie ''Maysa''. Além de atuar como figurante, Maria Gadú também participou da trilha sonora. ''A exposição cria certa curiosidade nas pessoas. Tinha muita gente que me via tocando no bar, depois me reconhecia na tevê e ia me procurar na internet. Isso foi muito legal para divulgação.''
A exposição chamou a atenção da mídia e das gravadoras e Maria Gadú emplacou neste ano álbum homônimo e gravou a canção que embala a novela global ''Viver a Vida'' - ''Shimbalaiê''. Seus shows passaram a ser elogiados por gente consagrada no cenário musical nacional, a exemplo de João Donato, Caetano Veloso e Milton Nascimento. O suficiente para torná-la uma estrela. ''Fiquei lisonjeada quando eles foram no show. Foi muito bom porque bebi muito na fonte desse pessoal.''
Fã de cantoras contemporâneas como Céu, Luiza Possi e Ana CaÀas, Maria Gadú agrada um público amplo, talvez justamente por transitar por diferentes estilos. Ela faz, por exemplo, versões de ''A História de Lilly Braun'', de Chico Buarque e Edu Lobo, e de ''Baba Baby'', de Kelly Key. ''Não consigo me definir porque gosto de tudo. Adoniran Barbosa, Noel Rosa, Enia, Backstreet Boys, Sandy e Junior... Meu trabalho é pop e eu gosto de música''.
O repertório de Curitiba deve ter todas as músicas de seu disco e também algumas outras releituras. ''Gosto de tocar Pink também'', adianta. A artista, por enquanto, não faz muitos planos para o futuro. Só quer viver intensamente o bom momento. ''Não faço planos porque muitas vezes eu me decepciono. O que eu quero mesmo é tocar com esses músicos maravilhosos e levar o som de qualidade para onde eu for.''
Serviço
- Show de Maria Gadú
Quando - Amanhã, 23h30
Onde - John Bull Music Hall, em Curitiba
Quanto - R$ 20 (1º lote), R$ 25 (2º lote) e R$ 30 (3º lote)


