O som do coração de Myriam Alter
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Liliana Onozato<br>Reportagem Local 
Eu penso que lá é onde o amor está. Não importa o quê. Acredito que todos nós que participamos deste disco sabemos disso. É por isso que toda música vem do coração. O que mais? Eu ofereço isso a você, para, dessa forma, tocar seu coração. E espero que seja assim.
Embora intitulado subjetivamente, Where is There (Onde é Lá), não escapa do que foi aspirado na declaração da compositora belga Myriam Alter. Se não provoca nenhum tipo de reação, a música perde o seu real desígnio. Lançado pela Biscoito Fino, o álbum sugere tempo; há de ser apreciado vagarosamente, como quem desfruta de um bom vinho e agradável companhia.
De evidente sofisticação rítmica, as oito composições de Alter revelam um discurso lírico de tonalidades claras. Os improvisos chegam a durar até oito minutos, dando vazão aos solos dos músicos que a acompanham: Pierre Vaian (sax soprano), Greg Cohen (baixo), John Ruocco (clarinete), Salvatore Bonafede (piano), Joey Baron (bateria) e o brasileiro Jaques Morelenbaum, com seu violoncelo virtuoso.
Se apropriando do jazz como principal linguagem, a compositora conduziu um repertório que demonstra todo o mosaico musical de influências, como de origem espanhola e judaica, alinhados ao universo clássico de sua infância.
Alter enxergou no violoncelista, que já atuou ao lado de Tom Jobim e Caetano Veloso só para citar alguns , a combinação perfeita entre a brasilidade com a música intimista de câmera. Morelenbaum acentua as nuances dramáticas e nostálgicas que o disco evoca em toadas intimistas de contornos arredondados. Destaque para as faixas Still In Love, Come Whith Me e Catch me There.


