‘‘Eu penso que ‘lᒠé onde o amor está. Não importa o quê. Acredito que todos nós que participamos deste disco sabemos disso. É por isso que toda música vem do coração. O que mais? Eu ofereço isso a você, para, dessa forma, tocar seu coração. E espero que seja assim.’’
  Embora intitulado subjetivamente, ‘‘Where is There’’ (‘‘Onde é Lᒒ), não escapa do que foi aspirado na declaração da compositora belga Myriam Alter. Se não provoca nenhum tipo de reação, a música perde o seu real desígnio. Lançado pela Biscoito Fino, o álbum sugere tempo; há de ser apreciado vagarosamente, como quem desfruta de um bom vinho e agradável companhia.
  De evidente sofisticação rítmica, as oito composições de Alter revelam um discurso lírico de tonalidades claras. Os improvisos chegam a durar até oito minutos, dando vazão aos solos dos músicos que a acompanham: Pierre Vaian (sax soprano), Greg Cohen (baixo), John Ruocco (clarinete), Salvatore Bonafede (piano), Joey Baron (bateria) e o brasileiro Jaques Morelenbaum, com seu violoncelo virtuoso.
  Se apropriando do jazz como principal linguagem, a compositora conduziu um repertório que demonstra todo o mosaico musical de influências, como de origem espanhola e judaica, alinhados ao universo clássico de sua infância.
  Alter enxergou no violoncelista, que já atuou ao lado de Tom Jobim e Caetano Veloso – só para citar alguns –, a combinação perfeita entre a brasilidade com a música intimista de câmera. Morelenbaum acentua as nuances dramáticas e nostálgicas que o disco evoca em toadas intimistas de contornos arredondados. Destaque para as faixas ‘‘Still In Love’’, ‘‘Come Whith Me’’ e ‘‘Catch me There’’.

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