O SOM ACABOU
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domingo, 21 de janeiro de 2001
Nelson Sato De Londrina 
O melhor da festa já passou. No último dia do Rock in Rio 3, o que deveria ser o ápice da maratona musical, vai servir para mandar as hordas de jovens mais cedo para suas casas ou cidades. Não que as atrações sejam intragáveis, mas é inevitável comparar o apelo de público de um Red Hot Chili Peppers às circunstâncias que cercaram os shows do Guns NRoses, Iron Maiden ou Britney Spears.
Além da popularidade, todos estes traziam motivos adicionais para lotar o gramado da Cidade do Rock. O Guns tinha a seu favor a pomposidade do retorno aos palcos após quase oito anos de silêncio. O Iron vinha mostrar sua formação histórica, com as reintegrações do vocalista Bruce Dickinson e do guitarrista Adrian Smith. E Britney, por fim, protagonizava um encontro inédito de astros teens milionários.
Talvez até haja surpresas no fluxo de gente, afinal as aulas escolares não recomeçam nesta segunda e quem foi até a Cidade do Rock não tem muito a perder assistindo ao encerramento do Festival. O problema é que os Chili Peppers fazem o show principal da noite sem anunciar novidades nesta sua terceira visita ao Brasil, a não ser a volta do guitarrista John Frusciante, que havia deixado o quarteto em 1992 dando início a um interminável rodízio de substitutos.
Convém lembrar que eles tocaram em São Paulo no ano passado, o que contribui para uma quebra de expectativas. A banda fecha a programação do Palco Mundo sucedendo às apresentações das bandas Silverchair, Deftones, Capital Inicial, O Surto e Diesel. Frusciante e sua turma desembarcam no Rock in Rio motivados pelo sucesso do último álbum Californication, que obteve duas indicações para o Grammy, embora seu funk rock soe desgastado num mundo que já parece cansado inclusive de seu sucedâneo rap rock.
O set do show deverá reunir hits, músicas do último disco e algumas covers entre elas, Pinhead dos Ramones e um medley de I Just Want Some Skank e Beverly Hills dos Circle Jerks. Antes deles, sobem ao palco o trio australiano Silverchair, formado por garotos da mesma idade daqueles que cantaram e dançaram na tal noite teen, com a diferença de que Daniel Johns (guitarra e vocal), Chris Joannou (baixo) e Ben Gillies (bateria) compõem e tocam sem recorrer a vergonhosos playbacks.
A cara tristonha de Johns virou um pôster insubstituível nos quartos das fãs desde que surgiram em 94, após ganhar um concurso de talentos promovido por uma emissora de TV e uma rádio. Tinham 15 anos. O single Tomorrow estourou nas paradas e foi o quarto disco do gênero mais vendido em toda a história do país dos cangurus. O repertório da banda une baladas amargas a estridências grunge.
A inspiração vem do Nirvana, cuja influência é assumida pelos próprios integrantes. Seu disco mais recente, Neon Ballroom, é de 1999. O show no Rock in Rio é uma pausa para descanso, já que eles estão trabalhando no material do novo álbum. O ponto da alto da escalação, porém, fica por conta do quarteto Deftones. Com três álbuns lançados, tornou-se um dos expoentes do novo metal ao lado de bandas como Korn, Limp Bizkit, Coal Chamber e Slipknot.
Deftones é o melhor da safra fundindo raiva, peso e melodia. Há quem diga que tenha mais admiradores entre o público alternativo do que entre seguidores de metal. Seu último disco, White Pony, foi eleito o melhor de 2000 pela revista européia Kerrang!. Já no elenco brasileiro, o principal convidado é o grupo Capital Inicial, que foi arrancado do ostracismo depois de lançar um disco acústico e gravar a mais bela música de sua carreira.
Mas a canção Tudo que Vai é séria candidata a provocar chuvas de garrafas plásticas no palco, afinal, não é noite para delicadezas pop.


