Um pouco da França foi o tema abordado por Annie Duprat, professora de História Moderna da Universidade de Versailles, durante o I Encontro Nacional de Estudos da Imagem, realizado pelo departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento aconteceu durante os dias 14, 15 e 16 de maio e contou com a participação de diversos professores e estudantes do Brasil e exterior.
Entre os enfoques principais, Annie falou o nascimento de Marianne, símbolo da liberdade francesa, cuja tradicional imagem remete a uma mulher com boné vermelho. Seu trabalho de pesquisa baseia-se na co-relação dos acontecimentos históricos com a imagem, por exemplo, a caricatura, gravura e pintura. Mais especificamente, a professora enfocou a caricatura política dentro do domínio público, ou seja, uma análise de como a sociedade vem enxergando esta modalidade crítica durante os séculos.
Annie revelou, em entrevista exclusiva à FOLHA2, que a primeira caricatura política não apresenta uma data específica, mas foi registrada durante o fim do século 15 e início do século 16. ''A condição social sempre foi o principal mote dessas representações. As pessoas que se tornam ricas de um dia para o outro, pessoas que forneciam armas para a guerra, críticas à Igreja católica e ao Papa, críticas contra a Roma, são elementos que estiveram muito evidentes surante a Revolução Francesa. É como a caricatura de hoje, com a preocupação de satirizar a presença da ascensão'', disse a pesquisadora, que leciona História Moderna na Universidade de Versailles,
Questionada a respeito de sua impressão sobre a caricatura brasileira, Annie comentou sobre a dificuldade de compreender as legendas em português que geralmente acompanham os desenhos, entretanto pode perceber algumas semelhanças com a tendência mundial. ''Há uma tendência de a sociedade chamando a atenção para certos tipos, para determinadas situações recorrentes no dia-a-dia, e isso é bastante comum'', acrescentou, ressaltando a pouca importância dos traços artísticos, mais frequentes no século 19.
Essas representações serviram, segundo a pesquisadora, para manter os conceitos criados com a Revolução Francesa. ''Até 1815, elas eram liberadas, ou seja, as caricaturas políticas podiam ser publicadas. Com a vinda de um novo rei em 1815, elas foram novamente impedidas de circular'', explicou.
Esta foi a segunda vez que Annie desembarcou no Paraná, sendo a primeira vez para conhecer Foz do Iguaçu. Admirada com a estrutura e conteúdo do evento, a professora não poupou elogios: ''Achei o congresso verdadeiramente apaixonante, com muitos estudantes interessados, e isso nem sempre acontece na França. Apresentaram trabalhos realmente bons, de pesquisadores que vieram de fora. Particularmente, ressalto um colombiano que veio pela primeira vez ao Brasil e trouxe caricaturas inéditas de um ditador que foi assassinado em 1948. Houve muitas mesas redondas com bastante participação e a troca foi muito grande''.

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