Egberto Gismonti e Daniel Murray apresentaram-se no domingo (13), no Teatro Ouro Verde, dentro da programação do Festival Internacional de Música de Londrina (FIML). Um momento de excelência dentro de uma programação que traz à cidade expoentes da música brasileira.

Com Daniel Murray, Gismonti apresentou músicas que resgatam raízes brasileiras, de domínio público, com interpretação contemporânea, contando com improvisos e experimentações. As referências musicais de parte deste repertório remontam ao século XVI no Brasil, segundo a explicação de Gismonti, o que enfatiza o nome do show "Uma História Brasileira".

O que se viu foi um diálogo de grande harmonia e precisão entre os músicos que tocaram "Alegrinho", "Mestiço & Caboclo", "Águas Luminosas" e "Baião Malandro", entre outras, num total de nove composições. A apresentação também contou com momentos de empatia com Gismonti contando histórias pessoais ao público de Londrina.

Egberto Gismonti e Daniel Murray: um diálogo musical sofisticado
Egberto Gismonti e Daniel Murray: um diálogo musical sofisticado | Foto: Fábio Alcover/ Divulgação

VILLA-LOBOS POR GISMONTI

Na segunda parte, Gismonti tocou ao piano composições que fazem parte da memória afetiva do público brasileiro. Sua maestria , tocando sem partitura, ficou muito evidente ao interpretar "Miudinho", de Heitor Villa-Lobos, com inserções que só enriquecem a peça musical.

Para quem fechasse os olhos, a impressão seria de mais de um pianista no palco, mas era "apenas" Gismonti, redimensionando a potencialidade da música brasileira, com as mãos voando sobre o teclado. O concerto contou ainda com "Carinhoso", de Pixinguinha, e "Retrato em Branco e Preto", de Tom Jobim.

Não houve bis, ainda que a plateia insistisse, e essa "suspensão" fez o público voltar para casa querendo mais, sempre mais, quando se trata de Egberto Gismonti.

Egberto Gismonti, ao piano, na segunda parte do show: maestria
Egberto Gismonti, ao piano, na segunda parte do show: maestria | Foto: Fábio Alcover/ Divulgação
mockup