O show deve continuar?
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terça-feira, 11 de março de 2003
Marc Lavine<br> France Presse 
As estrelas de Hollywood indicadas ao Oscar estão preocupadas. Como poderão celebrar a entrega das estatuetas douradas no dia 23 de março se os Estados Unidos iniciarem uma guerra contra o Iraque? ''Acredito que todos vão considerar com muita atenção a maneira de festejar este acontecimento no contexto atual'', declarou Daniel Day-Lewis, indicado ao Oscar de melhor ator por sua atuação em ''Gangues de Nova York''.
''Pareceria obsceno desfilar sobre o tapete vermelho saudando a multidão enquanto tantas pessoas estão morrendo'', afirmou Day-Lewis durante um almoço, na última segunda-feira, com vários indicados ao prêmio em Beverly Hills (Califórnia).
Porém, os organizadores da entrega do Oscar, a festa anual do cinema norte-americano, afirmam que ''o espetáculo deve continuar'', precisando, no entanto, que a cerimônia será modificada no caso de uma intervenção militar contra Bagdá.
''Se estivermos em guerra, a transmissão do Oscar refletirá desde cedo esta realidade'', declarou o produtor do evento, Gil Cates. A cerimônia será transmitida ao vivo para todo o mundo, com quarenta milhões de espectadores nos Estados Unidos e centenas de milhões no restante do planeta.
A festa exige uma enorme organização, envolvendo milhares de pessoas: indicados, apresentadores e convidados, além de técnicos, músicos, serviços de buffet, floristas, casas de alta costura, maquiadores, equipe de segurança e jornalistas de todo o mundo.
Nicole Kidman, indicada ao Oscar de melhor atriz por seu papel no filme ''As Horas'', está dividida sobre a atitude mais conveniente a ser adotada em caso de guerra. ''Existem dois argumentos: o primeiro seria continuar e não interromper os preparativos, e o outro segundo o qual não seria adequado comparecer''.
Catherine Zeta-Jones, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação em ''Chicago'', manifestou a esperança de que a cerimônia aconteça mesmo em caso de guerra, porque as pessoas precisam sonhar nos momentos difíceis.
''É por isso que pagamos para ir ao cinema, para escapar da realidade por alguns momentos'', disse a atriz. A cerimônia do Oscar, cuja primeira edição aconteceu em 1929, só foi adiada em três ocasiões durante sua história. O primeiro adiamento ocorreu em 1938, quando a festa foi realizada uma semana depois do que estava previsto por causa das inundações que afetaram Los Angeles.
Trinta anos mais tarde, o assassinato de Martin Luther King em 4 de abril de 1968 e as manifestações de protesto em todo o país levaram a Academia de Hollywood a adiar por dois dias a cerimônia, para que o evento acontecesse após o funeral do pastor que era símbolo da luta pelos direitos da minoria negra.
Em 1981, o presidente norte-americano Ronald Reagan foi vítima de um atentado en Washington algumas horas antes do início da cerimônia. Os organizadores decidiram então adiar a festa do cinema para o dia seguinte.


