O SEXO DOS ANJOS
Marcos Losnak
De Londrina
Especial para a Folha2
É comum os pais ensinarem seus filhos a andar, a comer com garfo e faca, dizer obrigado, a tomar banho e outras ações. Quando chega a hora da educação sexual, a coisa se complica. O assunto é simplesmente evitado, seja por timidez, insegurança, falta de jeito ou por tabu.
Na realidade a educação sexual das crianças dentro da família é um fator importante para o crescimentos saudável dos filhos. Deveria ser realizada com a mesma naturalidade e disposição com que se ensina a amarrar o cadarço do tênis.
Um dos principais fatores que impedem os pais de falarem de sexo com espontaneidade com seus filhos está no fato que eles próprios, quando crianças, não tiveram essas informações de seus pais. Isso não representa nenhuma tragédia, mas indica um desafio a ser transposto. Vale lembrar que as crianças aprendem sobre sexo de uma forma ou outra se não for em casa será na rua. Portanto, nada melhor que recebam informações corretas e dentro de padrões morais dos pais do que aprender inverdades nas ruas com outras pessoas.
Apesar de todo preconceito sobre o tema, pesquisas mostram que as crianças que conversam com os pais sobre sexo são mais responsáveis. Tendem a adiar o início das relações sexuais até o momento em que se sentem amadurecidas, capazes de usar anticoncepcionais e de fazer um escolha sem pressões.
A Editora FTD está publicando um livro que pode auxiliar pais, assim como educadores, na tarefa de guiar a educação sexual das crianças dentro das distintas fases. Escrito por Marta Suplicy, Papai, Mamãe e Eu apresenta o desenvolvimento sexual da criança do zero aos dez anos de idade e uma série de sugestões de como apresentar as informações nas diferentes etapas do crescimento.
Papai, Mamãe e Eu é composto de dois materiais distintos: o livro propriamente dito, destinado aos pais e educadores; e uma série de 22 pranchas didáticas destinada às crianças. Cada prancha é formada por desenhos com informações variadas: aspectos biológicos, transformações do corpo masculino e feminino na puberdade, anatomia dos órgãos sexuais, o ato sexual propriamente dito, fecundação, gestação, parto, etc. As imagens aparecem acompanhadas de informações e sugestões para que os pais apresentarem o conteúdo à criança levando em conta a grau de complexidade da informação e a faixa etária da criança.
Publicada originalmente em 1993, essa nova edição de Papai, Mamãe e Eu foi atualizada. Ganhou dois novos capítulos, um focalizando o universo infantil frente à separação dos pais, outro sobre a televisão carregada de erotização e suas consequências no comportamento infantil. Outro ponto discutido é o abuso sexual infantil. Marta Suplicy defende um princípio básico: criança informada é criança protegida. Ou seja, uma criança que possui informações corretas sobre sexo e foi instruída de maneira preventiva, dificilmente será vítima de abuso sexual.
Um do motivos que fazem de Papai, Mamãe e Eu uma obra eficiente, além de apresentar o desenvolvimento intelectual, emocional e sexual de cada idade, está na maneira com que a autora apresenta tais informações. Falando diretamente aos pais, a sexóloga procura transformar o texto numa conversa clara, franca e verdadeira. Nesse processo, ao mesmo tempo que solicita dos pais e educadores um autoquestionamento e uma auto-reflexão sobre os próprios valores, aplica um injeção de coragem e auto-estima. -
A educação sexual dentro de casa não é uma coisa simples, exige uma aprendizado que geralmente atravessa uma série da dificuldades e incertezas. Mas o objetivo a que se presta justifica o esforço para superá-las. Marta Suplicy resume a questão com as seguintes palavras: Nenhum de nós quer filhos ou filhas que sofram disfunções ou problemas sexuais, ou que se comportem de forma inconsequente na vida sexual. Portanto, é necessário proteger e informar para propiciar um desenvolvimento sexual harmonioso, que acolha o prazer e a responsabilidade.
Papai, Mamãe e Eu - O desenvolvimento sexual da criança de zero a dez anos de Marta Suplicy, Editora FTD, ilustrações de Villaça e Avelinho Guedes, 22 pranchas visuais, 88 páginas, R$ 27,20.





