O Sepultura e sua A nova trajetória
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Marco Bezzi<br> Agência Estado 
A saga da maior banda de rock vinda do Terceiro Mundo poderia ter tido seu último capítulo em dezembro de 1996. Naquele mês, Max Cavalera deixou o Sepultura. Os três integrantes remanescentes teriam de tomar uma decisão: chutariam tudo para o alto ou se manteriam ativos mesmo sem o cabeça do time? O primeiro Cavalera a deixar a banda rumou com o Soulfly numa carreira-solo que, se não causou suspiros, o fez continuar a se apresentar nos principais festivais.
Enquanto isso, o que restou do Sepultura viu de maneira íntima o boicote de sua ex-gravadora (a Roadrunner), as portas serem fechadas e o descrédito de parte de crítica e público que o haviam colocado no topo do heavy metal.
Mas eles estão dando o troco. Baseado no romance ''Laranja Mecânica'' (1962), de Anthony Burgess, ''A-Lex'' é o segundo disco do grupo a reproduzir uma obra literária - após ''DanteXXI'', fundamentado na Divina Comédia, de Dante Alighieri. E o primeiro sem nenhum dos irmãos Cavalera, fundadores do grupo em 1983. O baterista Iggor se demitiu do posto em 2006, voltando a gravar com Max no projeto Cavalera Conspiracy.
''O Sepultura não morreu'', fala Andreas Kisser, guitarrista e atual porta-voz do quarteto que tem ainda na sua escalação Paulo Xisto no baixo, Derrick Green no vocal e Jean Dolabella na bateria.
A idéia de apresentar um disco que só chegará às lojas e à internet na primeira semana de novembro, segundo Kisser, é para deixar claro que, mesmo com a saída de Iggor, o Sepultura continua. ''Não mandamos ninguém embora. Ele (Iggor) saiu porque quis'', justifica o guitarrista. ''Não morremos só porque não tocamos no circuito europeu ou nos Estados Unidos''. Para sustentar sua afirmação, Andreas lembra de dois eventos que fizeram a banda voltar à grande mídia: os shows na Índia, no fim do ano passado, e em Cuba, em junho último.
Assim como Dante XXI, ''A-Lex'' (do russo sem lei) será dividido em partes - desta vez, quatro. Cada uma delas acompanha o desenvolvimento do personagem Alex. Há a violência do início do livro gerando composições mais pesadas, as alucinações e o mergulho nas drogas e a redenção que usurpa Alex em sua parte final. A trilha sonora da adaptação de Stanley Kubrick para o cinema (de Wendy Carlos) ganhou atenção especial. O trilheiro Eduardo Queiroz (de ''Bellini e a Esfinge'') tocou sintetizadores. Uma orquestra de 20 peças foi escalada para tocar o tema Ludwig Van. ''A nona de Beethoven é um lance muito importante e ficou fantástica'', exclama Andreas.
O músico ainda tem tempo de filosofar: ''Hoje, gosto mais de me inspirar em literatura do que em um Metallica, por exemplo. Viver o presente é ter o futuro garantido''.


