O sentido do abstracionismo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Muitas pessoas expressam insatisfação frente à arte moderna, em particular o abstracionismo, por não ser regido pela figuração e pela imitação do mundo. Em ''Equanimidade'', o artista plástico e arteducador Mauro Lovato propõe-se a retirar os obstáculos que impedem a apreciação da arte abstrata, valorizando a interface entre o apreciador, o produtor e a obra, dando ao visitante condições de ultrapassar a estática situação de observador de arte e ser interventor.
Para isso, além das 40 telas - a maioria na técnica acrílico em tamanho 40 X 60 - cujas cores e formas mostram uma falsa tensão entre o abstrato lírico e o gestual, Lovato inclui na exposição três objetos nas cores primárias (vermelho, amarelo e azul) que poderão ser modificados com tintas nas mesmas cores, à disposição do visitante. ''Interferindo na obra, o espectador dará significativa sequência ao que se vê e se faz cotidianamente, dentro ou fora de um ateliê, galeria de arte, museu, escola, igreja, residência ou espaço público'', explica.
O artista plástico utiliza materiais do dia a dia, tais como telhas, roda, garrafa plástica, luvas, pedaços de MDF, CDs, fitas cassetes, para refletir sobre a relação do homem com a natureza e mostrar que tudo isso faz parte do cotidiano de nossas vidas. ''Como arteducador sempre me preocupei em incentivar a criação lançando mão do que se tem ao alcance'', defende.
Expondo pela primeira vez em Londrina, Mauro Lovato residiu na cidade durante o primeiro semestre atuando na direção do Centro Social Marista Irmão Acácio (Cesomar). Recentemente mudou-se para São Paulo, onde atualmente se especializa na Preservação e Restauro em Artes Sacras. Dedicando-se à pintura desde 1994, Lovato diz ter-se encontrado no abstracionismo. ''A arte abstrata dá mais margem à criação porque não se prende ao desenho, permitindo que emoções e sentimentos fluam'', argumenta. Inspirado pela música clássica e as emoções que regem a existência, Lovato justifica os pré-julgamentos negativos que muitos fazem das obras abstracionistas à maneira como elas são percebidas. ''As pessoas olham o abstrato tentando identificar o figurativo. O abstrato é para ser sentido'', ensina.
SERVIÇO
- Equanimidade - Mauro Lovato
Quando - Até o dia 23 de setembro, das 9h às 20h
Onde - Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (Av. Higienópolis, 1.910), em Londrina
Mais informações - (43) 3344-4987


