O Senhor Tolkien também chega às telas
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de outubro de 2001
De Londrina 
Se não houver nenhum empecilho, nenhum incidente ou acidente de percurso, no dia 10 de dezembro acontece em Londres a pré-estréia mundial de uma das mais esperadas adaptações de todos os tempos. Decorrido mais de meio século de sua publicação, a trilogia ''O Senhor dos Anéis'' chega afinal ao cinema com personagens de carne e osso. A história criada por JRR Tolkien, influência definitiva de todos os ''magos'' escritores do século 20 (inclusive J.K. Rowling), já tinha sido levada ao cinema em 1978, quando Ralph Bakshi dirigiu um fracassado longa de animação. Agora estão prontos os três capítulos da monumental trilogia mágica, financiados pela New Line Cinema. No Brasil, a estréia da primeira parte, ''O Senhor dos Anéis - a Irmandade do Anel'', está prevista para 1º de janeiro de 2002, depois do lançamento nas principais capitais do mundo no dia 19 de dezembro
A um custo de 180 milhões de dólares, inteiramente filmadas na Nova Zelândia, as três partes foram realizadas simultaneamente durante quase um ano sob segredo de estado imposto pela afortunada Warner Brothers, também a dona deste projeto - até a festa oferecida pela companhia este ano em Cannes foi pródiga em segredos, disfarces e falsas pistas, e este ao alcance apenas de uma dúzia de eleitos da grande imprensa internacional. As fabulosas lendas da Terra Média, ou o mundo fantástico criado por Tolkien, estão assim quase ao alcance de outra confraria de fanáticos, aqui muito mais exigentes do que os seguidores de Harry Potter. O que significa mais e melhores polêmicas pela frente. Dirigido pelo neo-zelandês Peter Jackson, o tríptico que está totalmente pronto é baseado nas novelas que deram continuidade a ''O Hobbit'', espécie de passaporte para se penetrar nos labirintos encantados de Tolkien.
''O Senhor dos Anéis'' é uma saga complexa, traduzida para mais de 30 idiomas com tiragem e vendas superando os 50 milhões de cópias. A magnitude do relato literário forçou o roteiro a praticar um certo reducionismo, omitindo personagens ou simplificando diversos episódios. Mas o diretor Peter Jackson lutou e acabou conseguindo manter vivo o espírito do livro. A trilogia já foi eleita por diversos círculos como a melhor obra do século 20, e muitos a consideram o grande livro de todo os tempos. Qualificações à parte, ''O Senhor dos Anéis'' é trabalho de extraordinária qualidade e imaginação. Os personagens Bilbo e Gandalf, rumo a um antigo e desolado reino, estão entre os mais fascinantes já produzidos pela literatura fantástica, agora visitados por um cinema respeitoso e não menos econômico em maravilhas.


