O SEGREDO DO SUCESSO - Exemplos de excelência
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segunda-feira, 07 de junho de 2010
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Num universo de mais de 61 mil alunos estudando em escolas estaduais de Londrina e distritos, a disputa por uma vaga nas melhores escolas é grande. Embora o discurso oficial defenda que a qualidade é a mesma em todas elas, as listas de espera ou cadastros de reserva mostram o contrário: as mais bem estruturadas e com alunos que apresentam melhor desempenho em exames nacionais são as mais procuradas.
Desde o final de 2006 quando o Paraná começou a aplicar o georreferenciamento como norma que obriga a matrícula do aluno na escola mais próxima da sua residência, aquelas filas intermináveis em portas de escolas na época da matrícula acabaram, mas, por outro lado, um outro tipo de fila começou a se formar. Pais ansiosos, preocupados com a qualidade de ensino e até com a segurança dos filhos, chegam a recorrer à Justiça, via Ministério Público, em ações coletivas para garantir o direito do filho estudar em uma escola que consideram de melhor qualidade, mesmo que ela não seja próxima da sua residência.
No Colégio Estadual Aplicação, a lista de espera tem aproximadamente mil nomes. É muito duro lidar com isso. Tem pais que ficam desesperados, chegam a implorar por uma vaga, mas não temos vagas suficientes. Fazemos o cadastro, mas explicamos que depende de surgir uma vaga, seja por transferência ou mudança do aluno, explica a diretora geral Eliane Fátima Guimarães de Oliveira.
E mesmo no caso das pessoas cadastradas, o critério de prioridade ainda é o georreferenciamento: quem mora no bairro mais próximo tem preferência. Quando surge uma vaga, consultamos o cadastro e até o Google Earth para certificarmos a localização. Também checamos a veracidade das informações, pois tem pais que chegam a adulterar o endereço da conta de luz. É tão complicado que quando há vários alunos que moram em um mesmo prédio pleiteando vagas, temos que chamá-los pela ordem crescente dos andares, comenta Eliane.
A filha caçula de um confeiteiro que mora na Zona Norte espera por uma vaga na 5ªsérie. Ele conta que a qualidade da educação é o que pesou. Aqui o ensino é aplicado e a minha filha, que é boa aluna, não se sente motivada na escola em que estuda atualmente. Ela me pediu para tentar a vaga e mesmo que ela surgisse agora, no meio do ano, ficaríamos felizes, alega. Ana Paula Rodrigues Pereira, 12 anos, que estuda na sexta série do Aplicação, confirma: Os professores são ótimos. Sabem explicar bem as matérias e dão todo o apoio necessário nas mais difíceis, como Inglês e Matemática.
Mesmo antes do georreferenciamento a procura por vagas no colégio sempre foi grande e teve época em que testes seletivos popularmente chamados de vestibulinhos chegaram a ser aplicados. Em recente pesquisa do Ministério da Educação, a instituição ficou entre as 10 melhores escolas públicas do País e nos últimos três anos tem liderado o ranking do Enem no Paraná. Para explicar esse desempenho, Eliane é taxativa: Fazemos bem feito o que tem que ser feito.
Segundo a diretora, eles seguem a orientação pedagógica dada a todas as escolas estaduais pela Secretaria Estadual de Educação, mas procuram a excelência no que fazem. Exigimos bastante dos alunos, dos professores e dos pais. E valorizamos o diálogo, para que haja espaço para a troca de ideias. A instituição tem 1.200 alunos, considerando os três períodos de aula e ainda dois cursos técnicos: Cuidados com a Pessoa Idosa e o Técnico de Enfermagem (que acontece no Hospital Universitário).
Como órgão suplementar da UEL, ela salienta que o apoio da instituição é fundamental para a manutenção do colégio. Recebemos apoio na parte pedagógica e administrativa, e toda manutenção do prédio fica à cargo da universidade. Todo ano é feita a pintura interna do prédio e as nossas câmeras de segurança também foram viabilizadas pela UEL.


