O segredo do ''rei dos vinhos''
Feminismo à parte, uma mulher fez a diferença. Em 1816, a viúva Nicole Clicquot deu o toque final à produção do champanhe. Complementou as ''invenções'' de D. Pérignon ao criar o processo de remuage. Nele, as garrafas são giradas todo dia no envelhecimento para que os resíduos provenientes da segunda fermentação se depositem no gargalo. Depois resfria-se a ponta da garrafa, de cabeça para baixo. Os resíduos congelam e, já com o recipiente em pé, retira-se a tampa. O bloco de gelo voa longe. Pronto, é só pôr mais ou menos açúcar para se ter do brut (seco) ao demi-sec (docinho, ideal para a sobremesa).
Essa história está entre as várias que você irá ouvir nas caves. E, uma vez em Champagne-Ardenne, o programa é obrigatório. Grandes casas, como Veuve Clicquot Ponsardin (em Reims) e Moet et Chandon (em Epernay), oferecem tours guiados. Na região, há 100 grandes produtores e 20 mil pequenos. Todos sabem de cor como se fabrica o rei dos vinhos, da prensagem das uvas ao engarrafamento da bebida.
Se for a muitas adegas, você corre o sério risco de se sentir embriagado. Nem tanto pelas sessões de degustação, e sim pela sucessiva repetição das mesmas informações. Obviamente cada um tem ''aquele'' detalhe que faz o espumante da casa particular. No gosto e no preço. O champanhe Krug ainda usa na fermentação barris de carvalho, o que, segundo a administração da marca (fundada em 1843), resulta num envelhecimento mais devagar e sabor exclusivo. Nessa hora só dando uma de São Tomé. É ver para crer. Ou, bem mais prazeroso, beber para saber.
Com o vinhedo de só um hectare, a Krug fabrica 500 mil garrafas anuais a visitação da adega é feita só para clientes especiais. Para se ter idéia de como é pequena essa produção, uma casa como a Veuve Clicquot Ponsardin (no mercado desde 1772) conta com 286 hectares e 12 milhões de recipientes feitos por ano.
A esta altura, toda a Champagne espera pela colheita, que será realizada em setembro, 100 dias após a floração. Uma das visões mais bonitas do roteiro são os vinhedos, milimetricamente desenhados, seguidos por vilarejos. A Montanha de Reims forma esse belo cenário: antigas construções, cortina de renda na janela e muito verde ao fundo.
Mais ao sul, perto de Bar-sur-Aube, a paisagem é bem bucólica. Na pequenina Urville, se esconde a cave da simpática família Drappier. Michel e seu pai, Andre, seguem a tradição de quase dois séculos. Desde 1808, já se vão oito gerações cuidando das adegas em túneis abertos no século 12. A produção anual é de 1 milhão de garrafas. Elas custam menos que as de marcas famosas.
Enquanto a ida a Champagne não sai, que tal o gosto de um Drappier no Brasil? A empresa iniciou a exportação para cá. Em breve, você poderá saborear o espumante e anotar dúvidas para tirar ao vivo.





