O século em foco
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Daqui a oito dias, mais exatamente a 23 de novembro, será inaugurada na Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba, uma grande exposição fotográfica intitulada Um País Único, cujo enfoque é a Itália, multifacetada e multiplicada em 209 registros colhidos ao longo de 100 anos.
Para acomodar todo esse material serão utilizados o hall e o piso superior da Secretaria da Cultura, o Museu da Imagem e do Som, e, ainda, o saguão do Aeroporto Afonso Pena. Neste último local ficarão 18 fotos gigantes, medindo 95 cm x 1,95 m. As demais têm as dimensões de 85 cm x 85 cm.
A promoção é do Consulado Geral da Itália com a Seec, com patrocínio da Tim Telepar Celular. O evento criado naquele país em 1997 teve itinerância nacional, e agora pode ser visto pelos paranaenses, na sua turnê internacional.
O amplo painel serve como uma crônica iconográfica de sua geografia física e humana, nas transformações inevitáveis ao longo deste século. Agrupadas em 22 temas, suas imagens mais antigas datam da década de 1880.
Alguns desses temas: Os Sinais do Homem, destacando-se os caminhos, estradas e vielas; A Aldeia Antiga, série de retratos das localidades das planícies e das colinas; Atrás das Portas, onde se busca a intimidade dos habitantes; Fábrica e Imagens, que faz uma abordagem sobre a indústria italiana e As Sombras da Guerra.
Os ecos da guerra estão presentes, como também estão os entregadores de pães, nobres, plebeus, a moda, paisagens ainda intocadas pela ganância e destruição humanas, momentos de lazer da população, a faina do dia-a-dia, namorados, artistas, imigrantes. São poucas as fotos coloridas, e entre elas tem-se carros reluzentes, monumentos, aldeias, cidades, ginastas e intelectuais.
Assinam esses trabalhos, profissionais contemporâneos como Fabrizio Tempesti, de 47 anos, Carlo Valsecchi, 34, Fulvio Magurno, 41, Rafaella Mariniello, 38. Situam-se lado a lado com reproduções colhidas em outros tempos, a exemplo do material assinado por Francesco Negri (1841-1924), Leopoldo Alinari (1832-1865) e Anderson Domenico (1854-1938).
A seleção não se fecha apenas nos italianos. Ela abriu-se para aqueles que vieram de longe e focaram suas lentes nas paisagens da Itália. Por ali passou Henri Cartier-Bresson, em 1952, e captou uma cena na aldeia de Scanno, em Abruzzi, onde aparece um grupo de mulheres com suas vestes tradicionais.
Tem ainda Guido Harari, nascido no Cairo, radicado em Milão, a alemã Elsa Haertter, Tatge George, de Istambul e até um brasileiro, Elio Luxardo (Sorocaba, 1908 Milão, 1969).
- Exposição fotográfica Um País Único, tendo a Itália como tema em mais de 200 registros feito no transcorrer de 100 anos. A mostra estende-se entre a Secretaria de Estado da Cultura (Rua Ébano Pereira, 240, fone 321-4700), Museu da Imagem e do Som (Rua Barão do Rio Branco, 395, fone 232-9113) e saguão do Aeroporto Afonso Pena, onde serão expostas 18 fotos gigantes. Abertura dia 23 de novembro, às 19 horas, na Secretaria de Estado da Cultura. Encerramento dia 20 de dezembro. Patrocínio da Tim Telepar Celular.Exposição que abre no dia 23, em Curitiba, reúne fotos da Itália feitas ao longo do século
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