O SÉCULO DE SARTRE
Claude Casteran
France Presse
Vinte anos depois de sua morte, a 15 de abril de 1980, Jean-Paul Sartre continua tendo uma enorme influência na vida intelectual francesa, suscitando a publicação de numerosos livros, o mais ambicioso deles Le siScle de Sartre de Bernard-Henri Lévy.
Dizia-se que seu teatro estava fora de moda, que sua literatura era muito didática e sua filosofia inútil. E entretanto, no limiar do novo milênio, a releitura de sua obra mostra até que ponto Sartre, apesar da incerteza de seus compromissos políticos, merece sua lenda, resume o semanário Le Nouvel Observateur que, como Le Point, acaba de consagrar sua capa ao maio intelectual francês do século 20.
Em 20 abril de 1980, Bernard-Henry Lévy, então com 30 anos, assistiu ao enterro de Sartre no meio de uma impressionante multidão de rostos famosos ou anônimos, de rebeldes e de pequenos burgueses, de franceses e de estrangeiros. Quem era o homem capaz de conseguir tal prodígio, de reunir tantos admiradores díspares?, se indaga.
Lévy termina sua investigação filosófica evocando de novo o povo de Paris que aclamou nesse enterro de Sartre: esse velho era nosso jovem!, diz, referindo-se às tomadas de posição iconoclastas anunciadas pouco antes de sua morte por Sartre e seus inúmeros projetos de livros.
Em seu trabalho, Lévy distingue dois Sartres, o jovem e o outro: Que há em comum entre o homem livre de A Náusea e o companheiro de rota stalinista que o sucede? entre o filósofo genial que descobriu rapidamente as vacinas antitotalitárias e o pensador menos memorável que, mais tarde, se esqueceu de aplicá-las em si?
Os dois períodos se sobrepõem constantemente um sobre o outro, como duas emissões parasitas, dois focos de sentidos adversos e entretanto simultâneos, assinala.
No semanário Marianne, o filósofo Christian Godin lamenta o grande número de digressões de livro e considera que Lévy está mais fascinado pela glória do pensador do que por sua obra ou seu pensamento.
Outros livros esclarecem a vida e o pensamento de Sartre. La cause de Sartre de Philippe Petit não quer ser nem um panegírico nem uma crítica de sua obra, mas um convite a redescobri-la. O livro dá amplo espaço ao famoso estudo sobre Flaubert, Lidiot de la Famille.
Por sua vez, Michel-Antoine Burnier descreve em seu ensaio Ladieu à Sartre, o homem das mil contradições e publica documentos pouco conhecidos como os informes abomináveis que a amiga russa de Sartre enviava à KGB em cada uma de suas estadas na URSS, ou uma completa narração de seu encontro com Raymond Aron em 1979.
Olivier Wickers assina Trois aventures extraordinaires de Jean-Paul Sartre. Escreveu desde os 8 aos 68 anos todos os dias, revela o autor, que assinala três períodos: a guerra, a infância e os 15 últimos anos de vida dados para compreender um homem, não qualquer um, Flaubert.
Denis Bertholet, em seu Sartre, trata também de decifrar a estranha cumplicidade que liga Sartre às épocas que atravessa, enquanto Benot Denis publica um ensaio de título explícito: Littérature et engagement. De Pascal à Sartre.





