O SAMBA VAI PARA A PISTA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina Especial para a Folha2 
Este ano o Rei Momo vai dançar é na pista. O secretário de cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini, anunciou ontem que o carnaval londrinese pela primeira vez será realizado no Autódromo Municipal: Queremos fazer um verdadeiro festival carnavalesco no Autódromo, algo como o Cabaret do Filo (Festival Internacional de Londrina), que funcione dia e noite promovendo oficinas para toda a população.
Segundo Pellegrini, a secretaria está trabalhando junto à Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para que as escolas possam contar com patrocínios ou apoios culturais: Infelizmente não poderemos liberar nenhum recurso para as escolas, pois a Prefeitura está sem dinheiro. Se falta recursos para as creches, não há sentido em destinar recursos a escolas de samba frisou o secretário.
O diretor da Codel, Otávio Cesário Pereira Neto, está esperançoso e ambiciona que este seja o grande carnaval da virada do século. Além da Codel e da Secretaria de Cultura, atuarão na organização do carnaval este ano a Fundação Municipal do Esporte (que irá ceder o autódromo e toda a infra-estrutura deste) e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU, antiga Comurb), que irá viabilizar o transporte das pessoas envolvidas na realização do evento. Pereira Neto acredita que os empresários estarão dispostos a investir na folia local: Já iniciamos alguns contatos e os empresários estão recebendo bem nossas propostas. Queremos mobilizar a sociedade londrinense para que este seja um grande carnaval.
O presidente da escola de samba Garotos Unidos (Zona Sul), Pedro Paulo Scheffer, concorda com Pereira Neto: Está na hora de as escolas (de samba) mostrarem ao município que entendem a atual situação, referindo-se à precária situação financeira em que se encontra a Prefeitura, em consequencia dos desvios de verba pública ocorridos na conturbada gestão do ex-prefeito cassado Antônio Belinati (atualmente sem partido). Scheffer revela que neste ano o orçamento está mais enxuto, RS 15 mil, e que o samba-enredo já tem até título: A Sorte. Para o presidente da Garotos Unidos, escola fundada em 1999, a solução para os problemas financeiros será a busca de apoios e patrocínios culturais: Iremos buscar todo tipo de apoio.
Já a presidente da escola de samba Navegantes do Mar Azul (Jardim Leonor) Margarida Pereira da Silva não sabia ainda que a Prefeitura não irá ajudar financeiramente as escolas: Eu não sei de nada ainda, não conversei com o secretário (Pellegrini). Margarida ainda pretende conversar com o secretário em busca de apoio financeiro: Vamos pedir. Temos que pedir. Ela revela em tom descontraído que nem o enredo nem o orçamento são conhecidos: Todo ano é assim, a gente resolve tudo pertinho da festa.
Na escola de samba Gaviões Londrinenses (Parque Ouro Verde), o clima também é de esperança: Devemos ter algumas empresas interessadas em apoiar o carnaval, afirma o presidente Edward Robson Rodrigues. A escola, que deverá contar com orçamento aproximado de R$ 17 mil, tem título ainda provisório para o samba-enredo: Assombração.
Os presidentes das escolas de samba Unidos do Jardim Sol e Quilombo dos Palmares não foram encontrados ontem pela reportagem.


