CARNAVAL -

O samba pulsa em Londrina

O mais brasileiro dos ritmos tem lugar cativo entre os londrinenses

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

Londrina vive um momento pulsante em relação ao samba. O gênero musical tipicamente brasileiro encontra espaços privilegiado entre os londrinenses. Além de tradicionais rodas de samba que há décadas movimentam a cena local, a cidade conta atualmente com artistas e escritores que se dedicam a explorar diferentes vertentes que vão do pagode ao samba de raiz. 


“São vários eventos que atualmente movimentam esta  cena: desde as informais rodas nos bares, passando por espetáculos temáticos e shows com artistas locais  e os que  são referências importantes de diferentes gerações e vertentes do samba brasileiro”, afirma a produtora cultural e professora Juliana Barbosa, que possui doutorado em samba. 




Ela lembra que até meados da década de 1980, a cultura do samba em Londrina esteve mais ligada às escolas de samba, clubes e blocos. “Entre os anos 90 e 2000 o samba passou movimentar também bares e casas noturnas, como a Apoteose, a Chopana, o Tigrão, o Quebra Gelo e a Padaria do Samba. Nos anos mais recentes, mesmo com a desativação das agremiações carnavalescas, o samba se fortaleceu. Passou a estar presente nos palcos, teatros e espaços públicos”. 


Juliana observa que o samba de gafieira tem uma presença mais restrita às escolas de dança e o pagode atinge um nicho mais jovem. “Já as rodas de samba têm maior alcance, reunindo um público diversificado, de diferentes gerações e grupos sociais; elas acontecem em diversos locais e reúnem sambistas que além de tocarem clássicos do gênero musical, estão sempre ampliando o repertório, apresentando novas composições. O movimento criador é muito forte nesta vertente”, diz.  


Juliana Barbosa: "Vários eventos impulsionam o samba em Londrina, desde as rodas nos bares aos espetáculos temáticos"
Juliana Barbosa: "Vários eventos impulsionam o samba em Londrina, desde as rodas nos bares aos espetáculos temáticos" | Gustavo Carneiro/ Arquivo Folha 02-03-2018
 


Na avaliação dela, não se trata de um movimento só de consumo e entretenimento. “Pelo contrário, ele está baseado em pesquisa, criação e produção.  Contando ainda com um intercâmbio criativo com artistas do Rio e de São Paulo. Tem gente compondo e gravando, criando arranjos e fazendo releituras de sambas;  temos grupos formados somente por mulheres; comemoramos o Dia do Samba há 15 anos; o Samba da Padaria é um grupo em atividade há mais de 20 anos”.  


A pesquisadora que durante oito anos apresentou semanalmente o programa de rádio Estação Samba na Rádio UEL FM ressalta ainda que há escritores locais que se dedicam à cultura do samba. “Tem publicações de pesquisadores como o livro "Nelson Sargento e as redes criativas do Samba" de minha autoria, e "Samba de uma noite de verão", do Renato Forin Jr., que ganhou o Prêmio Jabuti com a publicação lançada em 2017. ‘O que acontece hoje no samba em Londrina não se confunde com um modismo. As pessoas buscam referências, estudam e produzem com profissionalismo. Tem raiz, tem alicerce, não acaba de uma hora pra outra”, enfatiza Juliana.  

 

Disco dedicado ao ritmo 

Nascido em Londrina, o cantor, compositor, ator, produtor e preparador vocal Paulo Vitor Poloni lançou no final do ano passado um álbum totalmente dedicado ao samba, resultado de mais de 20 anos de pesquisa. “Já tô no samba” traz as diversas facetas do gênero: riso, drama, romance e gingado.  

“Não acho que o samba esteja se renovando. O samba nunca morreu. Não vai morrer. Vai achar seus caminhos, vai dialogar, vai misturar, vai encontrar vozes, vai traduzir seu tempo, vai contagiar, vai emocionar. Estamos vivendo uma fase em que o samba dialoga com o passado, mas olha e fala do presente afirma o artista que em seu terceiro álbum apostou em composições inéditas de Alfredo Del Penho, Miguel Rabello e Sérgio Santos, além de canções próprias escritas ao longo dos anos. 

 

Cidade recebe Bateria da Mangueira e Fundo de Quintal 

Dois grupos cariocas representantes do samba de raiz se apresentarão em breve em Londrina. A Bateria da Mangueira anima a sexta-feira de Carnaval, com uma apresentação que acontece no dia 21 de fevereiro, no Iate Clube. 

O grupo Fundo de Quintal também tem apresentação agendada na cidade para o dia 18 de abril, no Iate Clube. Os dois eventos são promovidos pela produção do Samba da Madrugada em comemoração aos seis anos de existência da roda que acontece bimestralmente na cidade.   

Os ingressos para os shows estão sendo vendidos no site www.sympla.com.br 

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