Uma nova safra de sambistas tem animado as noites e tardes dos londrinenses. Formada por jovens universitários ou recém-diplomados, surgiu como um movimento musical espontâneo, que se difundiu sem manifestos ou a partir de cansativas reuniões.
Mais preocupada em resgatar as raízes do gênero do que em seguir o pagode romântico, que foi moda nos anos 90, essa turma colocou clássicos de compositores como Cartola (1908-1980), Noel Rosa (1910-1937) e Ataulfo Alves (1909-1969) outra vez na boca do povo na cidade.
''É a rapaziada nova fazendo samba antigo'', define Flávio Nunes, violonista do Trio Sambulantes, uma das pontas do fenômeno. Flávio se apresenta todas as quartas-feiras à noite no bar Estação Café Brasil ao lado de Gisele Silva (vocal) e Duda de Souza (percussão).
O show de hoje é comemorativo. Eles estão festejando o primeiro ano como atração fixa semanal da casa. Além dos compositores citados, os Sambulantes pinçam do baú canções de Geraldo Pereira (1918-1955), Wilson Batista (1913-1968), Zé Kéti (1921-1999) e Adoniran Barbosa (1910-1982).
Também interpretam Dona Ivone Lara, João Bosco, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Chico Buarque e expoentes da nova geração de cantoras como Maria Rita e Roberta Sá. Gisele lembra que, muitas vezes, as músicas vão sendo tocadas de acordo com o ''clima'' da platéia.
''O show começa geralmente com as lentas e depois vai acelerando porque tem dias que o pessoal vem muito a fim de dançar. Aí a gente inclui sucessos de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão'', conta. Segundo ela, a platéia é diversificada juntando gente de todas as idades, de estudantes de ensino médio a aposentados.
A cantora afirma que as apresentações tornaram-se pontos de encontro de músicos. ''De repente, no fim da noite, o Trio recebe 10 músicos no palco só na base de voz e percussão e com a platéia batendo palmas. Vira uma grande festa''. Embora sejam apaixonados pela tradição, eles vêm trabalhando arranjos novos para as canções.
''Temos brincado com recursos eletrônicos para misturar com os timbres acústicos'', explica Flávio. ''Usamos pedais de efeito introduzindo loops em cima da voz. A idéia é revigorar o antigo dando-lhe uma cara nova. O Marcelo D2, o Curumin, a Elza Soares, o Lenine e outros artistas estão trabalhando com esse mix. Queremos ver onde vai dar. É um laboratório de experiência.''
Os três trabalham juntos desde 2000. Na época, os universitários amantes do samba costumavam se encontrar na festa ''Samba Sim'', realizada mensalmente numa república feminina. O nome da festa seria adotado posteriormente por um outro grupo local dedicado ao gênero, liderado pela cantora Rakelly Calliari.
Gisele acredita que a festa foi o embrião da cena universitária que se formou em torno do samba. ''Depois surgiu o Quizomba, que deu força para o movimento. E hoje tem mais gente tocando samba de raiz'', salienta. Entre os projetos futuros do grupo está a criação de um repertório autoral, mas o trio não quer apressar o trabalho.
''Não adianta apavorar e compor 15 canções de hoje para amanhã. Vamos deixar rolar'', diz Flávio. Além das atividades dos Sambulantes, os três componentes dividem-se entre projetos musicais paralelos, como o grupo É pra Jazz, Mama Quilla e Bloco Bafo Quente. Este último, aliás, vai tocar na próxima sexta-feira na festa de dois anos do Estação Café Brasil.

SERVIÇO
- Trio Sambulantes
Quando - Hoje, às 21h30
Onde - Estação Café Brasil (R. Humaitá esquina com R. Monte Castelo), em Londrina
Quanto - R$ 3
Mais informações - (43) 3024-5411

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