Ritmo que um dia já foi marginalizado, hoje, o samba tem espaço garantido e respeitado no cenário musical brasileiro. Londrina acompanhou esse movimento e, ao longo dos anos, viu várias formações de destaque surgirem. Uma delas, o grupo Sambaguidum (antigo Ziriguidum formado em 1981 por Joaquim Braga, o Braguinha), leva ao público músicas de grandes compositores e intérpretes do samba. O grupo se apresenta hoje, a partir das 20h30, no Bar Valentino, como parte da programação do III Encontro Regional de Educação de Jovens e Adultos (Ereja) Sul com um repertório de samba de raiz. Na lista, músicas de Noel Rosa, Ataulfo Alves, Cartola, Adoniran Barbosa, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Chico Buarque e João Nogueira.
Muito conhecido na militância do movimento negro na cidade, a história de Braguinha também se funde com o própria trajetória do samba em Londrina. "Tudo começou no início da década de 70, quando havia pequenas festas na Vila Casoni. Os amigos se reuniam para tocar um samba despretensioso, que tinha naquela época Martinho da Vila surgindo como nome mais popular. Foi então que me apaixonei pelo gênero. Esse encantamento me levou a pesquisar outros artistas como Jair Rodrigues, Clara Nunes e começar a tocar violão", conta.
Não demorou para que, poucos anos depois, ele entrasse para a escola de samba "Acadêmicos da Vila Casoni" e a música entrasse, de vez, em sua vida. "Meu universo musical foi sendo ampliado, ao mesmo tempo em que fui participando de outras artes, como o teatro. Já no final na década de 70, quando entrei no coral da UEL, percebi a importância estudar mais a parte técnica, como rítmica e métrica."
A vivência foi dando lugar à experiência até que, em 1981, junto com amigos e familiares, fundou o grupo Ziriguidum, considerado o primeiro grupo profissional de samba da cidade. O nome, segundo ele, surgiu de uma expressão, uma espécie de "grito" muito usado pelo apresentador Osvaldo Sargentelli. "Queríamos algo que empolgasse mais a plateia. Por isso, nossa proposta era ampliar o samba para um som mais percussivo, mas sem perder a linha melódica e vocal", explica.
Braga lembra que o grupo tocava praticamente todos os finais de semana em casas noturnas da época como Balancê e New Time, fazendo com que a banda fosse sempre requisitada para animar eventos. "Foi uma época intensa."
Além de Braguinha (violão e voz), a banda é formada por Nilsinho do Pandeiro (pandeiro e backing vocal), Andreotti (percussão e backing vocal), Edsinho (surdo), Marisinha (percussão), Hélio (tantã) e Luiza Braga (backing vocal). A formação é praticamente a mesma do ano de fundação.
Ainda nesse período, em 1984, Braguinha se aventurou na fundação da escola de samba Quilombo dos Palmares. O primeiro desfile já foi no carnaval de 1985. O samba-enredo daquele ano, "Zumbi: sonho de liberdade", foi feito por ele em parceria com Valdir de Assis. "Depois desse, criamos, pelo menos, mais uns dez." Mas, a efervescência da década de 80 e parte da década de 90 foi 'esfriada' por outros gêneros. "Felizmente, nos anos 2000, outros ritmos começam a despontar, como o maracatu, o samba de roda criando novos públicos. Hoje, não só o samba, mas todos os ritmos de raiz africana têm seu espaço e são protagonistas no cenário musical da cidade", comemora.

Serviço
Show com Braguinha e Banda Sambaguidum
Quando - Hoje, às 20h30
Onde - Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto - R$ 10

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