O Sal da Terra abre Festival do Rio
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terça-feira, 23 de setembro de 2014
Luiz Carlos Merten<br>Agência Estado 
São Paulo - Para que serve um grande festival de cinema? Para avaliar o estado do cinema, revelar novos talentos e resgatar clássicos. Para promover debates e fomentar coproduções. Para celebrar. O Festival do Rio, que começa hoje, quer fazer tudo isso. E, para que fique claro, escolheu para a abertura o documentário "O Sal da Terra", de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders, sobre o pai do primeiro, o grande fotógrafo Sebastião Salgado. "Precisava de um olhar estrangeiro, para que o filme não ficasse familiar nem doméstico. Que olhar melhor que o de Wim?", pergunta Juliano.
Está sendo um ano difícil, mas a diretora artística do evento, Ilda Santiago, esclarece o teor da dificuldade. "No primeiro semestre, tudo ficou para depois da Copa e agora vem a eleição. Mais que difícil, está sendo um ano atípico. Mas será um grande festival", promete.
O Festival do Rio 2014 muda de casa. Em vez do Odeon, encravado na Cinelândia - e fechado para reforma -, as galas transferem-se para o complexo Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões-postais da cidade chamada de maravilhosa. O Lagoon vai abrigar não apenas as sessões de abertura e encerramento, mas toda a Première Brasil, grande vitrine da produção nacional.
Os números são todos superlativos - 21 mostras, 350 filmes, 29 salas mais quatro pontos de exibição espalhados por toda a cidade. Todos os olhos do mundo no Rio - é o slogan deste ano. O festival abriga todas aquelas seções que os cinéfilos já conhecem - Première Brasil e Latina, Novos Rumos, Expectativa, Mostra Geração, Midnight, etc. Haverá uma extensa programação de documentários.
Ocorrerão algumas mudanças, além da sede das galas. Cai a tradicional mostra Mundo Gay, mas não se trata de um súbito acesso de homofobia. O Festival do Rio distribui a produção GLBT por toda a sua programação e até cria um troféu para o melhor filme gay, e ele vai se chamar Félix (em homenagem ao personagem da novela "Amor à Vida").
A Première Brasil, menina dos olhos do festival, vai exibir 69 produções - 41 longas e 28 curtas -, de diretores estreantes e veteranos. Como país homenageado, o México tem direito a retrospectiva e também à exibição de "Cantinflas - A Magia da Comédia", de Sebastian del Amo, que vai concorrer com o brasileiro "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro, a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro.


