Não é só o Brasil que fica desanimado com a falta de leitura dos jovens e também dos adultos. A França sofre atualmente da mesma falta de interesse pela literatura. Numa tentativa de fomentar a leitura dos romances franceses entre os curitibanos, a Aliança Francesa e o Consulado Francês convidaram o romancista e crítico literário do jornal Le Monde, Jean-Noel Pancrazi, para proferir palestra sobre ‘‘O momento atual do romance francês contemporâneo’’. O evento aconteceu ontem na Aliança Francesa, como parte da Semana da Francofonia.
Entre as novidades que Pancrazi abordou estão a queda vertiginosa da leitura entre os franceses. ‘‘Há dez anos, a média era de dez a doze livros por pessoa por ano. Hoje não passa de dois volumes.’’ Ele culpa o sistema educacional, que não ensina as crianças a lerem, além da preferência pela televisão, computadores e aparelhos de som. ‘‘Os pais também não lêem. O livro aparece como objeto de uma época ultrapassada.’’
Mas os escritores franceses atuais têm se esforçado para atrair leitores. A linguagem, segundo Pancrazi, tem uma abordagem mais rápida, colorida, direta e objetiva. A diversidade de autores é outro ponto favorável, segundo o crítico. ‘‘Além dos franceses tradicionais temos os franceses descendentes de marroquinos, nigerianos, poloneses, argelinos e etc. São os beurs, nascidos na França, mas descendentes de estrangeiros.’’ Entre os mais conhecidos estão o marroquino Tahar Ben Jelloun e Patrickk Chamoiseau, da Martinica.’’
Ele garante que o círculo literário francês recebe esses novos escritores de forma acolhedora. ‘‘Na verdade ainda esbarramos num preconceito do público. Há resistências apesar do aspecto acolhedor’’, reconhece.
A França também investe muito em livros de bolso - edições mais baratas. ‘‘Pelas informações que tenho, no Brasil não há muitas coleções de bolso e por isso fica difícil o acesso às publicações mais caras.
A procura por romances também sofre uma diminuição na França. ‘‘Os homens estão lendo mais obras de ficção, documentos, ensaios, publicações técnicas, jornais e revistas especializadas. São as mulheres, as mais atraídas pelos romances’’, afirma Pancrazi. Essas diferenças, segundo ele, sempre existiram mas ficaram agravadas.
Os estilos franceses na literatura são: o romance clássico, o novo romance, uma volta para os clássicos e o que chamam de novo-novo romance. ‘‘O novo romance tem uma linguagem mais abstrata, teórica. É escrito por intelectuais. O novo-novo trata dos problemas sociais, do desemprego, da liberdade, da droga e da sexualidade. E de uma maneira muito precisa, com linearidade. Há hoje, uma efervecência de de temas e de escritores. Os clássicos são os rebuscados, difíceis de ler e de traduzir.’’
Da literatura brasileira Pancrazi conhece pouco. Entre os clássicos leu Machado de Assis, mas diz que pelo que ouve falar ‘‘aparentemente temos os mesmos problemas ou, pelo menos, semelhantes.’’ Entre os livros que Pancrazi escreveu está Les Quartiers d’Hiver, que ainda não foi traduzido para o português.Mauro FassonO crítico literário do jornal Le Monde, Jean-Noel Pancrazi, reclama que os franceses também estão lendo poucoElisa Marilia Carneiro

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