O Rock'n'roll do T.S.O.L.
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Fabiano Camargo, Curitiba 
DivulgaçãoT.S.O.L.: voltando à estrada depois de quase quatro anos sem fazer shows fora da CalifórniaMuita coisa mudou desde os anos áureos da banda T.S.O.L., uma das mais cultuadas nos anos 80 entre surfistas, skatistas e membros de outras tribos alternativas. O punk rock não é mais tão underground, o surf movimenta um mercado cada vez mais lucrativo e o skate já saiu e entrou na moda algumas vezes. Mesmo assim, o rocknroll da banda de Orange Country, nas cercanias de Los Angeles, não perdeu a força nem seus adeptos fiéis. É isto que o grupo vem provando na primeira turnê brasileira (São Paulo e Porto Alegre), que termina hoje, com show em Curitiba.
A vinda ao Brasil está sendo acompanhada pelo lançamento de dois discos no país pela gravadora Paradoxx, Change Today?, o primeiro grande sucesso do T.S.O.L., de 1984, e Hell and Back Together, coletânea de 1988.
A banda chega liderada pelo vocalista Joe Woods, que, assim como o baterista Mitch Margolin, está no grupo desde 1983 - a banda começou em 1980, mas só ganhou terreno com a segunda formação, que trazia a dupla. Completam a escalação os guitarristas Mike Martt e Drac Conley e o baixista Dave Mello, todos com mais de dez anos a serviço do T.S.O.L..
Os músicos estão voltando à estrada depois de quase quatro anos sem fazer shows fora da Califórnia. Em entrevista exclusiva, falando por telefone de Porto Alegre, Joe Woods disse que a volta está sendo ótima e até prometeu um novo disco, além de comentar a receptividade do público brasileiro.
Como tem sido, até agora, esta turnê no Brasil?
Joe Woods - Estou pensando em ficar aqui. Vou vender minha casa, o carro, a mulher e os filhos e ficar...(risos). O público brasileiro está sendo muito legal. Eu nunca tinha pensado que acharia algum lugar melhor do que minha terra para tocar, mas estou achando o Brasil melhor. Estamos surpresos em descobrir quantos fãs o T.S.O.L. tem no Brasil.
Antes desta turnê, o T.S.O.L. estava há quatro anos sem viajar para shows. O que os motivou a retornar à estrada?
Woods - Tocar nos dá um grande prazer. Estamos juntos há muitos anos e as coisas funcionam extremamente bem no palco. Esquentar o público com nossa música nos dá muita energia, é o combustível que nos move. Provavelmente continuaremos por muito tempo ainda. Com a volta, planejamos gravar um novo disco no ano que vem - já temos músicas novas prontas. Tenho um projeto paralelo, com uma banda de blues... depois desta viagem com o T.S.O.L., estou pensando em abandoná-lo.
O T.S.O.L. foi uma das primeiras bandas da cena punk de Los Angeles e da Califórnia a ganhar destaque. Esta cena continua muito ativa até hoje. Quais as diferenças, comparadas com os velhos tempos?
Woods - A cena agora é muito diferente de quando começamos. Antes, eu era um garoto e achava legal ficar rodando pelos bares e coisas assim, agora estou meio velho (risos). Na verdade, a cena continua quente, com muitas coisas acontecendo, novas bandas surgindo...
O punk rock e o hardcore já não são mais tão alternativos. Bandas destes estilos vendem muitos discos, estão o tempo todo na MTV. O espírito continua o mesmo ou um pouco foi perdido?
Woods - O espírito é o mesmo. O punk rock e o rocknroll em geral são estilos de música com muita inquietação e rebeldia... Este tipo de som transmite muita energia e sempre vai ter seu público. As pessoas querem lutar contra o sistema, contra o governo, e não podem fazer muita coisa, então a música é como uma válvula de escape.
O nome da banda, True Sounds of Liberty (T.S.O.L.), foi dado numa época onde a maioria das bandas tinha uma postura política. Hoje, este nome ainda tem o mesmo significado?
Woods - Liberdade quer dizer o mesmo em qualquer tempo e defendê-la é tão necessário hoje como quando começamos.
Show com T.S.O.L. - Hoje, na Forum (R. João Palomeque, 12 - Fone: 347-4000). Ingressos a R$ 15,00 (antecipado, por tempo indeterminado). Abertura com a banda curitibana Boi Mamão.


