O ROCK DOS EXCLUÍDOS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de janeiro de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Com o apoio maciço da mídia, a próxima edição do Rock in Rio vai virar produto de primeira necessidade para milhares de brasileiros. À sombra da festa, um grupo de roqueiros quer mostrar seu descontentamento fazendo um festival à parte, que também será realizado no Rio de Janeiro. Três bandas curitibanas participarão do evento, a Dalilla, Samantha e Jailor.
A chiadeira não vem de um único núcleo há informações de que vários eventos estariam sendo organizados na cidade e, para não pulverizar os espetáculos, seriam todos reunidos num único show. A revolta dos descontentes deve-se ao solene desconhecimento dos organizadores do Rock in Rio sobre aquilo que se produz no Brasil. Não há espaço para as bandas que batalham um lugar ao sol, mas desvirtuamentos como Sandy e Júnior.
É o Pop in Rio, ironiza Gustavo Brito, guitarrista do grupo Dalilla, de Curitiba. Não tem aquele punch do rocknroll mesmo, que é ser contestador, ser político. Então é mais ou menos essa briga que o pessoal está fazendo. Se depender dos ânimos do pessoal, o off-festival seria montado na própria Cidade do Rock do Rio. Outro endereço é a Praia de Botafogo.
Se as autoridades vetarem qualquer tipo de protesto, aí a data transfere-se do dia 18 para a segunda semana de fevereiro. De qualquer modo as bandas de Curitiba estão confirmadas na programação. Dois nomes famosos prestigiarão o acontecimento: Rappa e Planet Hemp.
O guitarrista aponta um problema comum que atinge a área artística tanto lá quanto cá: o clássico jabá. A mídia trabalha de acordo com o dinheiro que recebe por fora, e assim, quem não tem, fica fora da programação de rádio e TV.
Temos emissoras de rádio locais que se não rolar uma grana, não tocam. Acontece até de casas noturnas cobrarem da banda que vai fazer abertura de show importante. Rola propina por todo lado, diz. Tem muita gente tentando lucrar em cima dos que ainda não têm fazem a gente tirar do bolso para entrar na mídia, acrescenta Sonee, baterista da banda Jailor. Segundo Brito, a preferência atinge também os jornais.
Um disco lançado recentemente pelo Bills Bar CD Coletânea Bills , com 13 bandas curitibanas, uma de Ponta Grossa e outra de São Paulo, sofreu resistências das emissoras de rádio. Em certos programas foi tocado à meia-noite de segunda-feira.
Sonee observa que no Rio Grande do Sul tem um programa de televisão voltado às bandas roqueiras. Vai ao ar aos domingos, ao meio-dia. Enquanto a gente tem Caldeirão do Hulk nesse horário, lá existe essa opção. Por sua vez Gustavo Brito reclama que em Curitiba os meios de radiodifusão ignoram a lei que determina 15% da programação comercial para os músicos locais.


