O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, está expondo uma ''vídeo-sinfonia de Sérgio Bernardes, com música de Guilherme Vaz''.
Em três grandes telas de 4,2m x 2,2m, suspensas por cabos de aço e dispostas em forma de arco, Sérgio Bernardes vai apresentar três vídeos de 15 minutos cada, com imagens surpreendentes desde os confins do Acre, o Monte Roraima, até um ''bonde'' no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
Passo a palavra de trechos do compositor Guilherme Vaz e do curador da mostra Luis Camillo Osório:
I - Qualquer objeto que não pertença à quina de um edifício feito por um arquiteto idiota é importante para a humanidade. Qualquer som que não pertença ao Grande Dragão viscoso e obscuro que se vê nas ruas - inspira os ouvidos dos que respiram com alegria. Não é necessário pensar muito para que isto aconteça. Só é necessário penar com beleza e com excelência. E isto não é uma medida de tempo. É uma medida de qualificação.
II - Não sabemos o que somos até hoje porque isto não tem a menor importância, o que nada em mares de esplendor como o Mar Vermelho sabe disso. A arte quando brilha como a pele das grávidas e arfa o ar verde não quer saber quem é. ''Não pense enquanto você puxa a corda do arco - diz o mestre arqueiro. Só pense quando com a flecha no alvo você estiver passeando como os seus amigos sob as alamedas de romãs. Como os brasileiros pensam.
III - O Rio não foi feito para pensar, o Rio foi feito para a arte. Me parece que os antigos do Rio aprenderam isto com os índios do fundo da Baía especialmente nas ilhas entorno de Itaoca. Lembre-se: ''Toda poesia é concreta''. Este é o Rio. Basta de Bauhaus, basta de modernidade, basta de animais retangulares.
IV - Portanto é preciso pensar que esta exposição não exista para a partir desta não existência poder pensá-la. Pensar em sua existência já reifica.
V - É preciso tentar não decifrar o Brasil, os tigres não se deixam observar desta maneira. O enigma não suporta o ego.
VI - O Rio não desagrega, esta é a sua potência. Por isto os antigos atribuíram à cidade a potência de Eros.
VII - É preciso fazer com que o secular trabalhe para o sagrado. De uma nova geometria espiritual como praticada pelos índios.
VIII - Qualquer objeto que não pertença a um prédio projetado por um arquiteto desvitalizado é importante para a humanidade.
Guilherme Vaz
Quem são estes artistas?
''Sergio Bernardes e Guilherme Vaz são artistas-visionários. Deixemos o artista de lado e fiquemos com os visionários. O que menos importa é o que já se sabe, viu e ouviu - tudo ainda está para ser dito/visto/ouvido não obstante a exaustão e o cansaço do mundo. Ambos percorrem o Brasil por dentro e pelas beiradas e sabem da sua inviabilidade maravilhosa. Não se trata de uma nação, mas de algo que assoma quando viramos uma esquina atentamente distraídos e nos deparamos com um gesto peculiar, uma árvore, um muro, um cheiro. Nada se explica fácil, mas se mostra ao seu jeito. As imagens e os sons desta exposição não querem provar coisa alguma - são acenos na direção do nada (que é tudo).
Trecho do texto de apresentação da exposição feito pelo curador Luis Camillo Osório

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