Pés descalços que já conduziram mais de 40 anos de carreira em palcos diversos. Não por acaso Maria Bethânia é figura mítica dentro do universo das interpretações verde-amarelas. E a senhora da 'música teatral' abre pela primeira vez as portas de sua casa, de seu cotidiano, e consequentemente de seu coração, para apresentar à legião de brasileirinhos o processo criativo que envolve o seu ofício. ''Música é Perfume'' foi o título escolhido pela própria Bethânia para seu primeiro documentário, dirigido pelo francês Georges Gachot, especialista em filmes de música erudita.
Integralmente narrado pela intérprete, sua voz conduz o espectador por caminhos ilustrados de sonoridade e matizes da multipluralidade nacional. Entre uma cena e outra, entre o lado temperamental e a humanização do mito, o filme levanta as transformações sociais ocorridas no País, que acabaram refletindo na vida da baiana.
As filmagens ocorreram durante a gravação do disco dedicado ao incomparável Vinícius de Moraes (''Que Falta Você me Faz'') e a trunê do show ''Brasileirinho''. Para Gachot, o ponto relevante seria evocar de onde vinha a música de Bethânia, por isso os registros dos ensaios, a ida a Santo Amaro, cidade natal da cantora. O documentário também apresenta depoimentos da mãe Dona Canô, dos amigos Chico Buarque, Nana Caymmi, Miúcha, Gilberto Gil e, claro, do fiel maestro Jaime Alem.
O interesse de Gachot começou no Festival de Montreux, na Suíça, em 1998, quando viu Maria Bethânia pela primeira vez. Sua presença de cena, sua concentração de emoção foram suficientes para acender a vontade de gravar um documentário sobre a intérprete. Já convicto a fazer o filme, foram cinco anos de pesquisa sobre Bethânia e a história da música brasileira. O diretor também é responsável pelo roteiro e produção da obra cinematográfica.
Brincado com a sinestesia do título, é a própria Bethânia que afirma: ''nada como um cheiro ou uma música para nos fazer sentir, viver, lembrar''. ''Música é Perfume'' é a simbiose entre uma voz e muitos Brasis.

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