O Retorno do Idiota conquista o prêmio do júri da 23ª Mostra
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sábado, 30 de outubro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 31 (AE) - O filme O Retorno do Idiota, do checo Sasa Gedeon, foi o vencedor do grande prêmio do júri da 23.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O anúncio da premiação foi feito na noite de sexta-feira, no Masp, pelo diretor da mostra, Leon Cakoff, e parte do júri. Após o anúncio, foi exibido um "filme-surpresa" para a platéia (tratava-se de Meninos não Choram, de Kimberly Pierce).
O público (cerca de 60 mil votantes) preferiu Nenhum a Menos, filme do chinês Zhang Yimou, ídolo do público paulistano desde 1988, quando arrebatou as platéias da 12.ª Mostra com O Sorgo Vermelho (que também levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim). Nenhum a Menos conta a história de Wei, menina de 13 anos que se vê, numa emergência, obrigada a substituir o professor de uma escola do seu vilarejo.
O Retorno do Idiota foi escolhido por um júri eclético, formado pelo argentino (radicado no Brasil) Hector Babenco, o croata Cedomir Kolar, o americano Tom Luddy, o sueco Peter Cohen
a belga Marion Hnsel e o italiano Marco Muller (diretor do Festival de Locarno, na Suíça). O filme narra a história de um homem que sofre de uma doença mental e passa a maior parte de sua vida num asilo. O Retorno do Idiota mostra as peripécias de sua tentativa de voltar ao convívio da família.
O sueco Peter Cohen, que arrebatou o público da 16.ª Mostra, em 1992, com Arquitetura da Destruição (Architecture of Doom), desta vez ficou com o segundo lugar na categoria documentário, com sua nova produção, Homo Sapiens 1900. O vencedor foi Meu Melhor Inimigo (Mein Liebster Feind), filme no qual o diretor alemão Werner Herzog fala de sua convivência com o polêmico ator Klaus Kinski, pai de Nastassia Kinski.
O prêmio da crítica foi para Gente da Sicília (Sicilia!), de Danile Huillet e Jean Marie Straub. O filme baseia-se no censurado romance Conversazione in Sicilia, de Elio Vittorini, publicado em quatro episódios entre 1938 e 1939. Relata a história de um homem que volta à sua Sicília natal para visitar a mãe. Os diretores Danile Huillet e Jean-Marie Straub trabalham juntos desde 1962 e fizeram 19 filmes, entre eles Cézanne, Noir Péché e Trop Tard.
O júri deu menção especial para o filme Jornada para o Sol, de Yesim Ustaoglu, cineasta de apenas 39 anos. Seu filme já ganhara anteriormente, no Festival de Berlim deste ano, o prêmio Blue Angel para melhor filme europeu e o Prêmio da Paz. Conta a história de dois jovens de diferentes regiões da Turquia tentando ganhar a vida em Istambul. Mehmet, que acaba de chegar à cidade grande, é ajudado por Berzan, um curdo que vende fitas cassetes em um carrinho de mão.
O prêmio especial da 23.ª Mostra para o japonês Seijun Suzuki é justificado por sua condição de "pensador radical, debochado, cheio de ironia e magia, de coração sempre adolescente". Homenageado também com uma retrospectiva, que apresentou desde seu primeiro filme colorido Abaixo os Vândalos (de 1960) a Kageroza, de 1980, Suzuki enviou carta a Leon Cakoff agradecendo pela lembrança de seu nome pela organização.
O melhor curta-metragem, escolhido pelo público, foi a produção italiana Típota, de Fabrizio Bentivoglio e Peppe Servillo. Em 30 minutos, o filme conta a história de uma família em fuga, pela estrada.
A diretora belga Marion Hnsel, um dos integrantes do júri a apresentar os vencedores, na sexta-feira à noite, agradeceu pela possibilidade de conhecer um pouco o Brasil, onde seus filmes são exibidos desde 1983. Neste ano, seu filme Dust (Poeira) começou uma história de longa colaboração com a Mostra de São Paulo - já são seis filmes seus que vieram à Mostra. Este ano foi exibido A Pedreira (The Quarry), um thriller que investiga o misterioso assassinato de um pastor gay. Tem John Lynch no elenco.
O diretor Peter Cohen gastou seus últimos dias no Brasil trocando telefones com fãs e conversando muito sobre o País. Ele pretendia visitar Brasília nesta semana. Marco Muller, outro integrante do júri, festejou efusivamente o 8.º lugar do filme chinês Dezessete Anos entre os preferidos do público. A produção é dele, contou. O filme, dirigido por Zhang Yuan, ficou empatado com O Einstein do Sexo, de Rosa Von Praunheim.
Outro prêmio especial da Mostra foi destinado ao diretor Takashi Koizumi, pelo filme Depois da Chuva (Ame Agaru), uma homenagem a Akira Kurosawa.


