TV/PERSONAGEM O RETORNO DE UMA DIVA Depois de 11 anos, Tônia Carrero volta a atuar em novelas. Atualmente, ela interpretaa francesa Mimi Melody, na global ‘‘Esplendor’’ ReproduçãoTônia Carrero: ‘‘Adoro e tenho muita paciência com novela’’ Fernando Miragaya TV Press O pedido de ‘‘Silêncio’’ dos quadros e cartazes do Hospital Nossa Senhora das Dores, em Cascadura, subúrbio carioca valiam para a equipe de ‘‘Esplendor’’. Na cena que marcou a volta de Tônia Carrero às novelas, a palavra foi insistentemente repetida pelo diretor Luciano Sabino. O importante era manter a concentração do elenco, não incomodar muito nem os pacientes do Hospital, onde foram feitas as sequências, nem a veterana atriz. Tônia não atuava no gênero desde 89, em ‘‘Kananga do Japão’’, na extinta Manchete, e voltou bem-humorada para interpretar a francesa Mimi Melody na trama de Ana Maria Moretzsohn. ‘‘Adoro e tenho muita paciência com novela’’, garante Tônia. E era realmente preciso. Para gravar apenas uma cena, foram consumidas quase quatro horas, graças aos ‘‘takes’’ diversos da sequência na qual Bruno e Dino, papéis de Caio Blat e Henri Castelli, conhecem Mimi. A dupla de rebeldes sem causa da novela chega ao hospital à procura de Flávia Cristina, personagem de Letícia Spiller, que após o acidente de ônibus foi internada no local. Revoltado com o fato de não achar a irmã, Bruno fica transtornado e tenta chutar um gato preto, que estranhamente havia conseguido entrar no hospital. É quando surge Mimi defendendo o felino e dizendo saber onde foi parar Flávia. A francesa está internada como louca, tudo por causa de uma paixão arrebatadora por um homem no Brasil. ‘‘Estou achando divertido, pois nuca fiz um personagem assim. Ela não tem charme, não anda bem vestida e ainda tem sotaque’’, brinca Tônia, fazendo biquinho para fazer o sotaque francês. Houve motivos, porém, para que uma cena aparentemente tão simples consumisse tanto tempo. Para começar, a sequência pedia um dia com chuva forte numa tarde ensolarada com 38º C à sombra, típica do verão carioca. O diretor Luciano Sabino, a cada início de tomada, tinha de primeiro gritar ação para os homens da água para depois comandar os atores. A chuva foi providenciada por uma mangueira de bombeiro apontada para o alto da fachada do hospital e ligada a um caminhão pipa. ‘‘Dá um trabalho maior, mas faz parte’’, ressalta Sabino. Outro problema era o próprio Hospital Nossa Senhora das Dores. O espaço reservado às gravações não era dos maiores e a movimentação da equipe ainda atraiu a atenção de funcionários da casa de saúde, que se amontoavam para assistir a cena. Isso sem contar o fato de a gravação estar invadindo um local que exige silêncio. Mesmo estando no primeiro pavilhão do hospital, onde há apenas o departamento administrativo, a preocupação da equipe era não tumultuar ainda mais o ambiente. ‘‘Temos de ter respeito, ética e atenção redobrada pois estamos em um local que requer cuidados especiais’’, receita Luciano Sabino. E ainda tinha o gato. O bichano preto que participava da cena também exigia atenção. Mas o felino, que tem o inusitado nome de Tigrão, não se assustou com o grande número de pessoas no local de gravação e ‘‘atuou’’ na cena tranquilamente. Aliás, o animal é um dos vários preparados pela adestradora In-Coelun Abreu para participar de gravações televisivas. ‘‘Os gatos se mostram mais tranquilos nas gravações. Não se agitam facilmente’’, explica In-Coelun. Mas quem teve mais cuidados especiais foi Tônia Carrero. A atriz era tratada como uma rainha pela equipe. O diretor Luciano Sabino explicava a cena para ela com calma, a maquiadora a toda hora ia ajeitar a atriz e uma cadeira estava sempre reservada para ela quando não participava dos ‘‘takes’’. ‘‘É uma profissional de primeira grandeza. Dá prazer voltar a trabalhar com ela’’, desmancha-se o diretor Luciano Sabino, que atuou ao lado de Tônia, quando ainda era ator, na novela ‘‘Louco Amor’’. Já a atriz está animada com o formato curto de ‘‘Esplendor’’, que permite que concilie gravações e teatro. ‘‘Além disso, a trama curta mantém o público em casa amarrado’’, receita Tônia, que lembra bem da época que era comum as telenovelas terem apenas 60 capítulos.