São Paulo – Depois de muitos pedidos, ela finalmente disse ‘‘sim’’. A atriz Bruna Lombardi aceitou participar da minissérie ‘‘O Quinto dos Infernos’’, que estreou semana passada na ‘‘Globo’’, a convite do insistente autor Carlos Lombardi – o sobrenome é mera coincidência.
A personagem Branca Camargo, de ‘‘Quintos’’, marca a volta da atriz à teledramaturgia brasileira em grande estilo como uma vilã disposta a tudo para ganhar dinheiro. Foram quase cinco anos longe das novelas brasileiras – o último grande trabalho de Bruna foi na minissérie ‘‘O Fim do Mundo’’, de 1996, na ‘‘Globo’’ – seguido de algumas participações especiais em outras tramas da emissora. Em entrevista, Bruna, aos 47 anos, comenta sua volta temporária às novelas e ao Brasil e porque aceitou, desta vez, o convite da Globo.
O que a impulsionou a voltar à TV dessa vez?
Boa parte da minha decisão tem a ver com o convite de Lombardi. Ele é insistente. Chega a ser obsessivo (risos). Eu já tinha jurado que iria fazer um trabalho dele. Primeiro porque eu adoro o que Lombardi faz: acho-o muito bom, brilhante . Ele queria que eu fizesse ‘‘Uga Uga’’ (em 2000), mas não pude. É que tenho sempre o problema da minha agenda. Afinal, assumi negócios em Los Angeles e preciso me programar com bastante antecedência.
Desta vez deu certo. O Lombardi me avisou bem antes e deu para eu adiar meus compromissos e vir para o Brasil fazer um trabalho mais longo e também muito divertido. É isso que vale a pena. Estamos nos divertindo para fazer a minissérie.
Como é sua personagem em ‘‘O Quinto dos Infernos’’?
Branca é uma vilã. É a primeira vez que faço uma, o que me encanta muito. Ela é uma marquesa falida, golpista, que precisa e quer dar um golpe do baú. Branca é filha de um jogador, personagem do Pedro Paulo Rangel. Aliás, estou adorando contracenar com ele. A gente se diverte muito.
Você não pensa em voltar definitivamente para o Brasil?
Eu fui para Los Angeles para estudar, fazer cursos de roteiro e acabei adorando, ficando de vez. Não foi uma coisa que programei. Penso em voltar um dia, talvez. Acho que eu virei uma cigana perdida no mundo. Sei que nunca vou deixar de vez o Brasil, nem deixar de ficar fazendo um pouco as coisas aqui e lá. Eu já me acostumei com essa vida.
E deixar o Brasil no auge de sua carreira na TV foi bom para você profissionalmente?
Não sei se foi bom para minha carreira, mas foi muito bom pessoalmente. Acho que tudo que a gente faz sem saber o que vai acontecer na vida é uma crescimento.
Como é ser considerada umas das mulheres mais lindas do Brasil depois de tanto tempo longe?
Não encaro assim. Não me vejo como um mito voltando para o Brasil. Eu só encaro como eu mesma, pessoa, com a minha malinha, chegando em meu país. Fico surpresa. Acho que é uma bênção, um carinho. Tenho um enorme sentimento de gratidão pelo o que o público e os profissionais sentem por mim depois de tantos anos que fiquei fora.
Pesa para você esse compromisso de continuar bonita? Envelhecer te incomoda?
É claro que a gente tenta sair bem na foto enquanto der (risos), mas não vejo só assim. Também sou uma pessoa com muitos interesses, que quer tantas coisas, com vontade de aprender. Se eu tivesse dez vidas, preencheria com esses meus anseios. Tenho certeza que a beleza não é fundamental para as coisas que eu busco, por isso não tenho medo de envelhecer.

mockup