O resgate do teatro-educação
O diretor de teatro Mauro Rodrigues é literalmente o pai dos bonecos e compra briga com ele quem chamar as suas criações de ''bonequinhos'', mesmo que isso seja uma forma carinhosa de se referir às suas expressivas marionetes, uma a uma confeccionadas manualmente por ele.
Professor do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina, Rodrigues se inspirou para a formação do grupo de teatro de bonecos a partir de um projeto de pesquisa baseado em teatro-educação. Linha de estudo à qual também se dedicou para o desenvolvimento do seu doutorado pela USP, concluído em 2004.
''Mais que formar público, queremos fazer uma intervenção educativa a partir do teatro. Sensibilizar o espectador para que ele saiba criticar o que está vendo através da linguagem primordial dos bonecos'', afirmou.
Nas apresentações do grupo, Rodrigues é quem recebe o público antes das encenações. Portando uma enigmática mala, que já lhe garantiu o apelido de o ''homem da mala'', ele introduz o espectador a um prazeroso jogo de interação. ''Buscamos fazer um acolhimento especial dessas pessoas. Ir ao teatro engloba uma série de rituais. Há o bilheteiro, o lanterninha, o pipoqueiro, todo um clima que favorece o evento teatral'', complementou.
Dentro dessa proposta de resgate do teatro, até a revitalização da praça em frente ao Teatro Zaqueu de Melo está sendo organizada pelo grupo, além de contar com a participação da Banda de Músicos de Londrina nas apresentações de sábado. ''Queremos que as famílias voltem a ter prazer em levar seus filhos ao teatro'', comentou.
Considerando a pedagogia do teatro, Rodrigues lembra que os atuais parâmetros curriculares já exigem práticas culturais nas escolas e que o trabalho desenvolvido pelo grupo visa ampliar esse debate público sobre o teatro. ''Em outubro pretendemos organizar um festival de teatro de bonecos e realizar um fórum com professores sobre o aprendizado de práticas artísticas''.





