O resgate do lirismo
Filme tenta buscar mágicas imagens da infância cada vez mais difíceis de se encontrar
Paigem de Meninos é para o diretor Fernando Severo o resgate de um lirismo, de uma infância que ficou na memória. Não há mais esse cenário de crianças jogando bolinha de gude, equilibrando-se nos trilhos dos trens, zanzando pelas ruas calmas. No interior ainda se encontra isso, mas é uma imagem que vai ficando dia-a-dia mais difícil de ser encontrada. O filme também é o resgate de uma paixão pela imagem, pelo cinema em geral, explica.
Hoje as gerações nascem em contato com a imagem em movimento. Não há mais a estranheza e intensa magia que havia em décadas passadas. A maior obsessão do menino era ir na matinê do cinema aos domingos, para acompanhar o seriado. Esse é o grande apogeu de sua vida, comenta sobre o personagem.
O aspecto de dor e sonho que o filme encerra de um lado a frustração, de outro o vôo amplo e sem limite exige da direção sensibilidade poética, tanto nos aspectos visuais, típicos do passado, que a gente está captando nas locações da Lapa, como no cuidado do figurino, nos objetos, na postura dos atores, e principalmente no trabalho dos atores. Depende muito deles, diz Severo.
Para formar o elenco, com excessão de Diegho, ele procurou atores na Lapa e em Curitiba. Selecionei alguns dos melhores do teatro paranaense, orgulha-se. Alguns que nunca tinham feito cinema estão ali, como Sílvia Monteiro no papel de mãe de Napo. Edson Rocha é o pai e Guilherme Weber o porteiro.
Toda uma geração que não fez cinema, ou fez pouquíssimo, agora está tendo oportunidade de imortalizar seu talento na tela. Estou cansado de ver produções com grana do Paraná trazer atores de segunda, terceira linha para fazer papéis que nossos grandes atores poderiam fazer. Eu me sinto muito feliz com isso. (Z.C.L.)





