O RESGATE DA ALEGRIA
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de setembro de 2001
Leandro Calixto 
O bom humor de Sílvio de Abreu não está presente somente em suas novelas. Com a boa audiência de ''As Filhas da Mãe'' na primeira semana manteve uma média de 37 ponto no Ibope , o autor paulistano, que andava amargo, não esconde o entusiasmo com sua mais nova produção. ''Até agora, tudo está muito favorável: desde o interesse do público pelos personagens, passando pela própria trama até chegar às críticas positivas que venho recebendo dos jornalistas'', vibra Sílvio. Ele chegou a pensar em abandonar a carreira de escritor de telenovelas por causa das críticas de que foi alvo quando escreveu ''Torre de Babel'', de 1998. A novela, exibida no horário nobre, tratava de temas polêmicos como drogas, homossexualismo e traição. ''Fui muito bombardeado'', reclama o autor.
O diretor Jorge Fernando, no entanto, dissuadiu o autor de ''pendurar as chuteiras''. Quando o diretor procurou o escritor para que voltassem a trabalhar juntos eles já fizeram ''Guerra dos Sexos'', ''Deus nos Acuda'' e ''A Próxima Vítima'', por exemplo , Sílvio foi taxativo: ''Só volto a escrever se for para me divertir também'', impôs o autor de 59 anos. No ano que vem, Sílvio vai comemorar seus 25 anos como autor de novelas: começou em 1977 com ''Éramos Seis'', exibida na extinta tevê Tupi.
Qual a avaliação que você faz de ''As Filhas da Mãe''?
A novela está excelente, todos já estão comentando e as críticas dos jornais foram extremamente favoráveis. Até agora está tudo muito bem. Sabendo o que vem por aí dentro da trama, tenho certeza que o interesse só tende a aumentar. É muito reconfortante saber que todos nós apostamos na qualidade e na ousadia em todos os sentidos e estamos tendo uma resposta super positiva do público.
Na primeira semana, a novela manteve uma média de 37 pontos no Ibope, dois pontos acima do trilho estabelecido pela Globo. Qual a tendência daqui para frente?
Acredito que ela vai se firmar ainda mais no dia a dia. Tenho confiança na resposta positiva do público porque acredito que ''As Filhas da Mãe'', além de ter muita qualidade em todos os sentidos, ainda é muito divertida e acredito que os telespectadores estavam muito carentes de um bom entretenimento. Mas sinceramente não espero uma audiência muito acima dessa. Foi-se o tempo que qualquer novela da Globo dava acima de 70 pontos no Ibope. Hoje, a concorrência é bem maior.
Em ''Filhas da Mãe'', você escalou todo o elenco primeiro para depois criar os personagens e as próprias tramas. Como está sendo a experiência?
Pelo incentivo que recebi do Jorginho e da própria direção da Globo, nem pensei nestas dificuldades direito. Para falar a verdade, acho mais fácil escrever um papel quando já tenho o ator. Você vai criando o personagem pensando nas características do intérprete. Então, acho até mais fácil. Mas escrever uma novela, depois de todo elenco já formado, não está sendo uma das tarefas mais fáceis. Está sendo uma grande loucura. Só que venho tendo muito prazer de escrever essa história.
Na prática, qual é o grande diferencial da direção do Jorge Fernando?
Como ninguém, o Jorginho consegue estabelecer um clima harmônico num set de gravação. Isto sem falar em toda sua capacidade como diretor de comédias. Ele tem um estilo todo próprio de dirigir suas cenas. Além do mais, só estou fazendo esta novela por insistência dele. Já havia dito que nunca mais iria escrever uma nova história na televisão. Só que ele conseguiu me convencer direitinho. E toda esta insistência dele está valendo a pena.
Sua desistência de escrever novelas ocorreu depois das críticas à novela ''Torre de Babel''. Você acha que foram realmente injustas?
Fui muito maltratado. Acho até que as pessoas não estavam totalmente preparadas naquele momento para discutir temas tão polêmicos como aqueles. Só que me patrulharam demais. Pelo meu próprio histórico, acho que não merecia. Todas aquelas críticas me fizeram perder o prazer pela minha profissão. Me lembro de como foi difícil concluir ''Torre de Babel''. Sofri muito para escrever os últimos capítulos. Foi exaustivo. Mas agora, tudo aquilo já foi superado por mim.


