Tem muita gente espalhada pelo mundo que gostaria de viver a experiência de Mattia Pascal: com tantas dificuldades à sua volta, o ideal seria ‘‘morrer’’ e renascer na pele de outra pessoa, para dar início a outra vida. A criação de Luigi Pirandello no romance ‘‘O Falecido Mattia Pascal’’, serviu de base para a adaptação que chega hoje ao palco do Teatro José Maria Santos, em Curitiba: ‘‘Le Vite e Amori di Mattia’’ (‘‘As Vidas e os Amores de Mattia’’). Encabeçando o elenco estão Emílio Pitta e Marino Jr.
A peça mostra que subterfúgios não levam a nada, porque a cada morte que se inventa, é a própria pessoa que se enterra, perdendo assim o avanço histórico de sua vida. No espetáculo os dois atores vivem o mesmo personagem em dois momentos distintos da existência: quando jovem e já no ocaso da vida. É aqui que ele percebe a catacumba onde se enfiou.
Por ocasião da primeira morte, Mattia ‘‘ressuscitou’’ como Adriano Meis, foi se estabelecer em outra localidade, mas na negação total do passado, cortou todos os vínculos afetivos. Sem a seiva dos contatos estabelecidos, torna-se um solitário sem raízes. O que lhe resta é a maquinação para uma segunda morte, em direção ao que era. Então, tem de volta sua identidade verdadeira, mas a revelação que surge é ainda mais dramática.
Apesar de ser um convite à reflexão, ‘‘Le Vite e Amori di Mattia’’ é uma montagem divertida, recheada de bom humor. Em torno do cidadão passam 35 personagens, vividos pelos dez atores do elenco. Além de Pitta e Júnior estão Rogério Delle, Marly Gott, Marco Zenni, Claudete Pereira Jorge, Luciana Walbach, Mariana Zanette, Eliane Berger e Alexandre Nero.
‘‘Le Vite e Amori di Mattia’’, adaptação e direção de Rodrigo Cavalheiro. De hoje a 28 de maio no Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655), às 20 horas. Ingressos: R$ 12,00, R$ 9,00 (bônus) e R$ 6,00 (estudantes, classe artística e maiores de 65 anos).

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