O Rei e suas estrelas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de abril de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaRoberto Carlos: para o deleite da platéia femininaRoberto Carlos continua sendo unanimidade nacional, pelo menos para a turma mais veterana. Prova disso foi a festa realizada pelo Colégio Pueri Domus, no final do ano passado, no Moinho Santo Antonio, em São Paulo: enquanto os pais dos alunos aplaudiam Roberto Carlos num salão, noutro espaço, ao ar livre, estava a banda Skank embalando a garotada. Viam-se ali as gerações dividindo-se como o Mar Vermelho.
Pois bem, o Rei volta a Curitiba para cantar no Guairão, mesmo teatro onde esteve ano passado, e com o mesmo show: Amor. Para os fãs empedernidos - o que significa a maioria - pouco importa se o espetáculo é repetido ou inédito. Importante é ver e ouvir Roberto cantar e contar piadinhas, lembrar dos tempos da jovem guarda, relembrar as velhas canções, falar dos amigos e homenagear as mulheres.
Em Amor ele exalta as gordinhas, as balzacas, as míopes e seus óculos essenciais, as baixinhas e outras tantas. Na platéia a ala feminina se derrete. Mas como o panorama musical de RC vai além dos rapapés, ele incluiu no roteiro de quase 20 músicas, alguns dos clássicos que o Brasil inteiro canta. Café da Manhã, Como é Grande o Meu Amor por Você e Detalhes são algumas delas.
Constelação de estrelas Perfeccionista nato, Roberto Carlos esmera para o espetáculo ser milimetricamente perfeito na sua execução. E é, independente da breguice de Jesus Cristo e a Virgem Maria aparecendo ao fundo. A apresentação, pode-se dizer, é asséptica. Tudo ali é exato, medido, sem espaço para um gesto ao menos que não seja ensaiado.
Nesse cenário a iluminação é um show à parte. Os estudos de luz foram produzidos pelo inglês Patrick Woodrofee, criador da luz dos Rolling Stones, e Césio Lima da LPL Brasil. Com um sistema computadorizado, o palco transforma-se numa festa de nuances e sombras. Deleite para os olhos.
Em determinado momento, muito intimista aliás, Roberto conversa com a platéia e pede pouca luz, até compor o clima necessário para desejar estrelas. Centenas de pequenos focos dourados acendem quase preguiçosos, como se fossem estrelas acordando. A platéia se extasia.
Depois dos motéis, dos botões da blusa, café da manhã e oração aos santos, vem a festa - as dúzias de rosas que Roberto joga para as - e os - fãs ávidos pela lembrança do astro. Há quem carregue como troféu as rosas (vermelhas) que ele atira antes de sair de cena. Hoje e amanhã vai ser assim, no Guairão.
q Amor - show de Roberto Carlos no Guairão. Hoje às 21 horas, e amanhã, às 20 horas. Os ingressos variam de R$ 90,00 nas primeiras fileiras da platéia, a R$ 35,00 no segundo balcão.


