Ele esteve no ano passado em Londrina, já como o melhor DJ do Brasil. Hoje ele volta à cidade ostentanto um outro título, o de melhor do mundo em drum’n’bass, honraria conquistada recentemente através de uma pesquisa feita pela revista inglesa Knowledge Mag.
DJ Marky, 26 anos, anima uma festa para vestibulandos a partir de 23h30 na casa noturna Music Hall. Além dele, tocam os DJs locais Adriano Duim (drum’n’bass), André Sneak (drum’n’bass jazzy) e mais Jay C (techouse, de Campo Grande).
Amanhã, os três retornam à casa para outra jornada de discotecagens. Da primeira visita de Marky, consta que até roqueiros avessos a música eletrônica se jogaram na pista estimulados pelas discotecagens do rapaz. Foi aliás seu senso rítmico e a habilidade para manipular as pick-ups que impressionaram os europeus projetando-o internacionalmente.
Hoje, além de ser residente em três clubes do país (Lov.e em São Paulo, Bunker no Rio de Janeiro e Pulse em Goiânia), viaja periodicamente para fora alternando turnês internacionais pela América com discotecagens na festa Movement e nas casas Club Mass e Bar Rumba, todas de Londres.
No final desse mês parte de novo para a capital inglesa, retornando só em dezembro. Marky virou cidadão em trânsito, a ponto de sua secretária eletrônica trazer mensagem em inglês, língua que mal sabia falar quando fez as primeiras viagens aéreas para o exterior.
O DJ converteu-se ao drum’n’bass por volta de 1993, difundindo o estilo na Toco (casa noturna da Vila Matilde, zona leste de São Paulo) e através de um programa de rádio chamado Phuture Tracks. O gênero é caracterizado por batidas frenéticas quebradas e baixo pulsante, eventualmente salpicado por teclados bucólicos, vocais soul e samples de jazz e funk.
Marky já lançou dois CDs (‘‘Workin’ the Mix’’/1999 e ‘‘Audio Architecture’’/2000), ambos no formato DJ-mix, ou seja, compilação remixada de músicas alheias. Nos últimos meses vem preparando material para um novo trabalho, desta vez mais pessoal, com músicas próprias.
Há quatro meses, teve sua primeira composição lançada lá fora, incluída na coletânea ‘‘Brasil EP’’ ao lado de faixas de Max de Castro e remixes de Xerxes e Patife. A música, ‘‘Tudo’’, ganhou inclusive um videoclipe na Inglaterra. O DJ vive dias de glória, mas já passou maus bocados trabalhando atrás do toca-discos.
Antes de virar DJ, deu duro como office-boy, funcionário de fábrica de abajur, vendedor em lojas de disco e ajudante de mecânico. Durante toda essa fase, e desde a pré-adolescência, já era ligado no universo dos DJs. Mais tarde, vieram os concursos de DJs em clubes da Penha, os quais abocanhava já esboçando talento raro na cabine.
No final de 1993, aderiu ao drum’n’bass (na época, chamado de jungle) introduzindo a batida no país ao lado dos DJs Patife, Koloral e Anderson. Dois anos depois, viu suas festas micarem e o público se dispersar com a ascensão do tecno nas pistas. Chegou a pensar em parar de trabalhar. Nada parecia dar certo. Teve inclusive que fechar uma loja de discos, da qual era proprietário na época.
No final da década, deu a volta por cima recebendo convites para tocar aqui e ali. A fama cresceu em 1998, quando foi ‘‘descoberto’’ por Bryan Gee, dono do selo inglês V Recordings, que viera discotecar em São Paulo. O contato valeu um convite para discotecar em Londres, na festa Movement. Lá, deixou todos de sobrancelhas em pé.
Na época, usava o pseudônimo Mark Marky, reduzido depois para Marky por sugestão dos ingleses para não ser confudindo com o rapper americano. Hoje é o ‘‘número 1’’ do mundo e terá o status de ter um tênis lançado com seu próprio nome em série limitada pela Nike.
•Festa com DJ Marky e participação dos DJs Adriano Duim, André Sneak e Jay C. Hoje, a partir de 23h30. Local: Music Hall (ex-Taj Mahal, Av. Higienópolis, 2315), em Londrina. Ingressos a R$ 12,00 no Pátio San Miguel. Informações (43) 324-2771 e 9996.1513. Amanhã: festa com os DJs Adriano Duim, André Sneak e Jay C. Mesmo local, mesmo horário e mesmo preço.

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