Vinte mil pessoas fizeram a festa sábado à noite na Pedreira Paulo Leminski, na versão curitibana do festival Ruffles Reggae. A principal atração da noite foi o jamaicano Shaggy, que sacudiu a garotada com seus hits martelados nas rádios FM, trilha de novela e clipes na MTV.
A festa começou pouco depois das 19h com o Third World, veteranos do reggae com mais de 20 anos de carreira. Na sequência, o inglês Max Priest deu continuidade ao embalo. Shaggy foi o terceiro a ocupar o palco da Pedreira. Ele nunca havia tocado no País, o que aumentou a expectativa em relação à sua apresentação.
Shaggy misturou composições próprias com remakes de antigos sucessos nas vozes de Johny Rivers e Janis Joplin, por exemplo. Os puristas do reggae torceriam o nariz para o som do jamaicano, que vive há dez anos em Nova York, mistura influências techno e dance ao reggae e substitui os tradicionais figurinos coloridos por uma jaqueta preta de couro. O público do festival gostou. O momento mais reggae da apresentação de Shaggy aconteceu na última música, ‘‘Get Up Stand Up’’, de Bob Marley. Maxi Priest voltou ao palco e participou da celebração do velho e bom reggae.
Shaggy foi sucedido no palco por Pato Banton. Logo no início do show, ele foi presenteado com beijos por uma fã que invadiu o palco. A menina, carregada no colo por um segurança parrudo, saiu sacudindo pernas e braços no melhor estilo ‘ah eu tô maluca’, divertindo ainda mais o público. Banton abriu uma bandeira com uma estampa de Bob Marley e a galera gritou em coro o nome do jamaicano que espalhou pelo mundo o ritmo e a ideologia do reggae. Figura fácil por estas bandas, Banton arriscou algumas frases em um português passável - ‘‘Somos todos filhos de Deus e irmãos em espírito’’, por exemplo - e foi aclamado pela meninada.
A noite foi fechada pelo Black Uhuru, que entrou na programação na última hora substituindo o africano Alpha Blondy. Cada uma das cinco bandas tocou durante uma hora. Considerando os intervalos entre as apresentações, foram quase sete horas de reggae.
Pouco antes da meia-noite, os dois postos médicos instalados na Pedreira tinham registrado 90 atendimentos, quase todos por bebedeira. Um rapaz sofreu luxação no ombro ao cair no chão. Doze jovens foram detidos por porte de maconha e encaminhados à Delegacia Antitóxicos.

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